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    Neste ano, a editora russa Editorial-Tandem (o nome é destacadamente latino-americano), especializada em literatura infantil latino-americana, lançou uma série de traduções da escritora brasileira Ana Maria Machado, ganhadora do prêmio Andersen de 2000.

    Os livros ("Procura-se Lobo", "Bisa Bia, Bisa Bel", "Conto de Fadas") vêm acompanhados com ilustrações do cubano Enrique Martínez. 

    Anatoly Arkhipov, editor-chefe da editora, disse com exclusividade à Sputnik Brasil que "estes livros estão ganhando popularidade no mundo todo, com tiragens e a fama dos autores está sempre crescendo".

    "Os livros destes autores são traduzidos praticamente para todas as línguas europeias, mas não para o russo. Nossa editora busca suprir esta lacuna", diz Arkhipov.

    Além de Ana Maria Machado, a Tandem edita Lígia Bojunga, Maria Teresa Andruetto, Zulema Clares, Helena Dreser e outros autores do continente latino-americano.

    Um pôr do sol em Carauari, em 21 de agosto de 2015
    © AFP 2020 / NELSON ALMEIDA
    Lições de tradições e novidade

    Quando perguntado sobre a particularidade da literatura latino-americana e a sua diferença das literaturas infantis europeia e russa, ele frisou que não é correto confrontar as literaturas: "Até porque os escritores infantis, em todos os continentes do planeta, estão igualmente interessados na indução aos seus leitores de sentimentos humanos universais, tais como o amor à pátria, o respeito aos adultos, a partilha das tradições… Mas nas obras dos escritores latino-americanos as questões da relação entre gerações, patriotismo, valores de família ganham um sotaque especial, e tais características aproximam-na da tradição literária russa".

    Há um assunto bastante delicado relacionado à literatura infantil: as tradições costumam, às vezes, ser mais fortes do que o gosto pela novidade, e os pais acabam lendo e repetindo os mesmos contos, sem alterar. Contudo, o editor desmentiu estes receios, mostrando-se bem otimista:

    "A nossa experiência demonstra que muitos pais procuram conscientemente algo novo, algo que responda às necessidades de hoje em dia, tencionando incorporar a consciência da criança no sistema de coordenadas internacional."

    Arkhipov destacou também a presença de livros estrangeiros traduzidos nas livrarias, não só na Rússia, mas em todo o mundo. O que, segundo ele, é uma tendência positiva.

    O difícil é manter a estímulo para "superar os desafios que existem no sistema atual de comércio de livros", nota o editor.

    "Resumindo, a situação de hoje é essa: as livrarias ganham dinheiro e as editoras são responsáveis pela façanha". Ele sublinha que a façanha vale a pena e que a tradução da literatura latino-americana deste gênero para o russo só tende a crescer.

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    Tags:
    livros, Rússia
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