01:59 17 Setembro 2019
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    Ruy Guerra

    Ruy Guerra em Moscou: 'Brasil caminha para um novo fascismo'

    © Foto / Pablo Baião/divulgação da assessoria de imprensa do MIFF
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    O 38º Festival Internacional de Cinema continua decorrendo em Moscou, e o programa de concursos está com todo o vigor. Neste momento, o famoso Ruy Guerra, diretor de cinema, poeta, professor e dramaturgo, apresenta sua obra recente "Quase Memória" aos críticos e ao público.

    A primeira longa-metragem de Guerra fala de uma dobra temporal, ou um delírio da velhice, na qual o protagonista jovem encontra a si mesmo, mas velho, e eles juntos começam a lembrar de várias situações que tinham acontecido no passado relativas a seus pais, especialmente ao pai deles.

    A peça, filmada juntamente com a filha do diretor e co-escritora do roteiro, Janaína Guerra, é do gênero comédia dramática, e foi muito esperado, os dois começaram trabalhando nela há cerca de 20 anos, do início mesmo do aparecimento da ideia, como ela informou durante a coletiva no âmbito do Festival realizado entre 23 e 30 de junho, 2016. 

    Cabe mencionar também que o trabalho levou tanto tempo devido às razões da produção, de acordo com a mídia brasileira.

    É preciso admitir que a obra é bastante difícil de compreender, o que se torna claro já no trailer, mas perguntado por uma jornalista da Sputnik sobre o sentido que ele gostaria que o público compreendesse, o cineasta disse:

    "Geralmente os meus filmes tem a reputação de filmes difíceis de compreender, mas não são, são filmes muito fáceis de compreender. Basta ao espectador não procurar coisas que não estão lá".

    Além disso, de forma irônica explicando a possível percepção da obra como algo de louco, ele admitiu sorrindo que está louco também e que o seu pai estava louco, mas tendo em conta que o filme é tirado de um livro de Carlos Heitor Cony, "essa loucura não me pertence".

    O sentimento de que as suas obras são difíceis de compreender não é a única reação que o famoso cineasta recebe.

    Uma cena do filme Quase memória
    © Foto / Divulgação do serviço da imprensa do MIFF
    Uma cena do filme "Quase memória"
    Como é sabido, as obras do cineasta famoso sofreram por várias vezes de censura e, respondendo à curiosidade de uma jornalista da Sputnik sobre a ligação entre a arte e as posições daqueles no poder, porque a arte provoca tal reação das autoridades, ele notou:

    "A política brasileira está completamente dominada por corrupção legalista. O Brasil hoje tem uma imagem democrática e não é um país democrático. É um país que caminha para o novo fascismo. E é preciso ter uma forte luta política para impedir isso".

    Claramente, nesta ligação é difícil negar a situação atual e a pedido da Sputnik para esclarecer a atual situação política e cultural no Brasil, o diretor disse bastante sinceramente:

    "O Brasil hoje acabou de ter um golpe de Estado, não feito por militares, mas feito por civis", disse o diretor.

    Tags:
    Cinema, Festival Internacional de Cinema de Moscou, Ruy Guerra, Moscou, Brasil
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