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    A polêmica em torno da desigualdade racial em Hollywood ganhou uma voz retumbante ontem (28) à noite, durante o monólogo de abertura das premiações do Oscar 2016, quando o comediante Chris Rock, convidado para apresentar a cerimônia, colocou o dedo na ferida aberta do racismo nos EUA, diante de uma plateia majoritariamente branca.

    O assunto era incontornável, desde que a hasgtag #OscarsSoWhite (algo como “Oscar tão branco”) começou a denunciar a ausência de negros e negras entre os indicados à premiação anual da maior indústria de entretenimento do mundo. 

    “Bem, aqui estou nos Prêmios da Academia [Oscar], também conhecidos como Prêmios da Escolha das Pessoas Brancas”, brincou o apresentador assim que começou seu discurso.

    O tom mordaz foi mantido durante toda a noite, que já estava sendo boicotada por celebridades do calibre de Will Smith e Spike Lee desde que os indicados ao prêmio deste ano foram anunciados.  

    “É o 88º Oscar, o que significa que toda essa coisa de ‘sem indicados negros’ aconteceu pelo menos outras 71 vezes”, disse Rock, após ter dito por que resolvera aceitar o desafio de ser novamente o anfitrião da festa, apesar de ter considerado se unir ao boicote. 

    Ironizando a relevância dada à premiação da Academia, Rock seguiu dizendo que toda a controvérsia sobre o #OscarsSoWhite só está ganhando espaço agora, depois de tanto tempo, porque nos anos 1950 e 1960 os negros tinham “coisas reais pelas quais protestar”.

    “Estávamos muito ocupados sendo estuprados e linchados para nos importar com quem ganhou [o prêmio de] Melhor Cinematografia”, disse ele, aplaudido nervosamente pela plateia.

    ​“Este ano as coisas vão ser um pouco diferentes“, continuou. “No segmento In Memorian, só vai ter pessoas negras que foram mortas por policiais quando estavam indo ao cinema”.

    ​A referência ao racismo do poder nos EUA, no que diz respeito às inúmeras mortes derivadas da discriminação policial contra indivíduos negros – mortes que, nos últimos anos, geraram o movimento Black Lives Matter (“Vidas Negras Importam”, em tradução livre para o português) – causou, por sua vez, um desconforto bem mais nítido no público, que começou a hesitar na dúvida de aplaudir ou não.

    ​Depois, Rock sugeriu sarcasticamente que se fizessem categorias especiais para negros no Oscar, à semelhança do que já é feito, “sem nenhum motivo real”, entre homens e mulheres nas categorias de Melhor Ator e Melhor Atriz.

    ​“Hollywood é racista? Pode ter certeza”, disparou o comediante. “Nós queremos oportunidades. Queremos que os atores negros tenham as mesmas oportunidades que os atores brancos”, concluiu.

    A plateia aplaudiu em uníssono desta vez, mais confortável, mas ainda tão branca, como observa a nova hashtag do momento, #OscarsStillSoWhite.

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    Tags:
    atores negros, plateia, OscarsStillSoWhite, OscarsSoWhite, discriminação racial, racismo, indústria de cinema, Cinema, Hollywood, Oscar 2016, Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, Leonardo DiCaprio, Chris Rock, EUA
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