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    Duas equipes de pesquisadores contestaram a ideia original de um estudo de 2017 que teorizou ter avistado um clarão datado dos primórdios do Universo.

    Uma suposta explosão de raios gama longínqua, previamente considerada como tendo acontecido há 13,4 bilhões de anos, foi resultado de um evento no Sistema Solar, concluíram equipes de cientistas diferentes, citados na segunda-feira (4) pelo portal Science Alert.

    Um estudo da equipe liderada por Charles Steinhardt, astrofísico do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhague, Dinamarca, chegou a essa conclusão, enquanto um outro estudo, liderado por Michał Michalowski da Universidade de Adam Mickiewicz, Polônia, publicado também na revista Nature Astronomy, detalhou que se tratou da reflexão solar em um estágio do foguete russo Briz-M descartado.

    Por sua vez, a equipe que reportou originalmente em 2017 o GN-z-11, dirigida por Linhua Jiang, do Instituto Kavli de Astronomia e Astrofísica, China, segue com a opinião original de que o clarão veio de muito longe.

    "Este é um problema típico da astronomia – é difícil medir distâncias", disse Michalowski ao ScienceAlert.

    "Um objeto com um determinado brilho registrado pode ser um objeto fraco nas proximidades ou um objeto luminoso distante. Em ambos os casos, eles parecem igualmente brilhantes para nós. O objeto em questão revelou-se um pedaço de lixo espacial muito próximo, mas seu brilho era igualmente compatível com uma enorme explosão estelar na fronteira do Universo observável", explicou.

    A explicação de uma erupção de raios gama dada por Linhua, justificada pelo clarão acontecer horas após o pôr-do-sol e por não haver planetas menores na área, foi rejeitada por outros cientistas, que teorizam ser resultado de "objetos do Sistema Solar, naturais ou artificiais".

    Eles consideraram ser muito pouco provável detectar algo assim, especialmente algo datado do início do Universo, havendo poucos registros de explosões desse tipo nesse período, e devido à teoria tornar o GN-z-11 o primeiro desses eventos.

    A equipe de Michalowski estudou o banco de dados de destroços espaciais Space-Track, onde encontraram um estágio do foguete Briz-M lançado em 2015 a 13.758 quilômetros da Terra, que, afirmam, teria aparecido no campo de visão do instrumento MOSFIRE usado pelo estudo original de Linhua durante o tempo em que o clarão estava ocorrendo, e que não estaria na parte sombria da Terra, o que significa que a luz do Sol poderia de fato ter se refletido no objeto.

    Linhua Jiang e os pesquisadores de sua equipe seguem convencidos que o brilho era diferente dos que recaem sobre objetos espaciais criados por humanos.

    "Não podemos descartar completamente a possibilidade de satélites desconhecidos (ou detritos). Apesar deste fato, nossos novos cálculos sugeriram que nossa conclusão original permanece válida", apontaram.

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    Tags:
    Universo, China, Dinamarca, Polônia
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