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    Ante a crescente frequência de erupções vulcânicas que marcaram a semana passada, a Sputnik Brasil falou com uma eminente vulcanóloga sobre peculiaridades da atividade dos vulcões, objetos que intimidam e ao mesmo tempo cativam nossos olhos.

    Na semana passada, vários vulcões entraram em erupção em diferentes partes do mundo. Em 23 de setembro, o vulcão Fuego, na Guatemala, iniciou sua atividade, expelindo no céu uma fumaça de cinzas de quase cinco quilômetros.

    Já no dia seguinte, 24 de setembro, os pesquisadores espanhóis registraram uma grande explosão no vulcão Cumbre Vieja em La Palma, uma das ilhas Canárias, cuja atividade diminuiu apenas hoje (27). A ilha ficou coberta de cinzas, além de registrar a destruição de centenas de construções devido ao rio de lava, que forçou a evacuação de habitantes da ilha e o cancelamento de voos para La Palma pelas companhias aéreas.

    Lava do vulcão engole casas na ilha de La Palma, nas Canárias, 23 de setembro de 2021
    © AP Photo / Emilio Morenatti
    Lava do vulcão engole casas na ilha de La Palma, nas Canárias, 23 de setembro de 2021

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Rosaly Lopes, astrônoma, geóloga planetária, doutora em vulcanologia pela Universidade de Londres e pesquisadora do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL na sigla em inglês) da NASA, contou a diferença entre vulcão ativo, inativo e extinto e explicou se o alerta de atividade sísmica é relevante para o Brasil. A especialista é uma autoridade científica no âmbito da vulcanologia e é mencionada no Guinness Book como a maior descobridora de vulcões ativos.

    Ativo, inativo ou extinto?

    Conforme explica a doutora, deve se diferenciar um vulcão inativo e um vulcão extinto: o primeiro é aquele que ainda pode entrar em erupção, enquanto o segundo, extinto, é aquele que nunca mais vai entrar em erupção.

    Por sua vez, a definição de vulcão ativo é meio arbitrária: vulcão ativo é considerado aquele que entrou em erupção em tempos históricos. Porém, aponta, existem lugares onde eles não tenham tido uma história escrita, como por exemplo em alguma ilha do Pacífico.

    Agora os especialistas disponibilizam muitas maneiras de prever quando um vulcão vai entrar em erupção. Mesmo assim, existe a possibilidade de estudar os vulcões por sua lava, seja ela muito antiga ou mais recente. Além disso, é possível também prever a duração de sua atividade pelas erupções que teve no passado, mas obviamente sem uma exatidão ao dia.

    Lava do vulcão em erupção na ilha de La Palma, nas Canárias, Espanha, 23 de setembro de 2021
    © AP Photo / Emilio Morenatti
    Lava do vulcão em erupção na ilha de La Palma, nas Canárias, Espanha, 23 de setembro de 2021

    Quanto ao Cumbre Vieja, na Espanha, "não foi assim a surpresa inesperada de um minuto para outro", afirma Rosaly Lopes, porque foi registrada atividade sísmica já por algum tempo, mostrando que o vulcão estava acordando.

    "Então, pelas erupções do passado esse vulcão vai ficar em atividade assim em termos de dias, semanas, talvez até alguns meses, mas não anos", prevê a vulcanóloga.

    Alerta para o Brasil?

    Houve alertas de que a costa nordeste do Brasil poderia ser afetada por um tsunami causado pela erupção do Cumbre Vieja, mesmo tão distante. Segundo pesquisas de alguns anos atrás, esse vulcão poderia ter um deslizamento de terra muito grande, devido às fraturas nas encostas, e se houvesse o colapso de uma parte do vulcão, ele poderia causar um tsunami que potencialmente atingiria a costa do Brasil.

    No entanto, acalma a doutora, "estudos mais recentes mostram que isso não é verdade e que o deslizamento da terra não seria muito grande".

    Além do mais, o Brasil está bastante seguro da atividade vulcânica em seu território, já que não há vulcões atualmente no país, explica ela: o Brasil está no meio de uma placa tectônica, enquanto a maioria dos vulcões estão onde as placas tectônicas estão se afastando umas das outras.

    Assim é o caso das ilhas Canárias e da Islândia, ou lugares onde as placas tectônicas estão se chocando, como nos Andes.

    Mas o Brasil já teve erupções vulcânicas no passado, por exemplo, em Fernando de Noronha, e também muito antigamente: há os famosos basaltos do Paraná, relembra a especialista, o que é uma rocha magmática eruptiva.

    Atividade vulcânica acima do comum?

    Comentando se são comuns os frequentes registros de atividade vulcânica como nos últimos tempos, Rosaly Lopes constata que "não está nada de especial acontecendo agora": cada mês são relatadas por volta de 20 a 30 erupções vulcânicas, de diversa intensidade, mas da maioria delas o público não ouve falar, porque não é nada de espantoso.

    Erupções vulcânicas nem sempre causam tragédias ou destruição: "Os vulcões mais perigosos são aqueles vulcões explosivos, do tipo de Monte Santa Helena nos Estados Unidos, que entrou em erupção em 1980. Quanto mais explosivo o vulcão for, mais perigoso ele é".

    No que diz respeito ao caso do Etna, o vulcão entra em erupção com uma frequência de 2-3 anos. Ao mesmo tempo, há vulcões com intervalos muito longos entre uma erupção e outra. Às vezes, podem se passar até centenas de anos sem um vulcão entrar em erupção, conta a doutora, como no caso do Arenal na Costa Rica, que não entrava em erupção há muito tempo.

    Vista aérea da atividade do vulcão na ilha Stromboli, no sul da Itália
    © AP Photo / FRANCESCO SAYA
    Vista aérea da atividade do vulcão na ilha Stromboli, no sul da Itália

    Por outro lado, há vulcões como Stromboli, na Itália, que podem estar constantemente em erupção. Este está ativo há por volta de 2.000 anos: já os romanos falavam de sua erupção.

    "Vai ter mais erupções vulcânicas nos próximos anos porque nós temos muitos vulcões na Terra", concluiu ela, adicionando que tem sempre atividade vulcânica acontecendo.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    vulcão, erupção, estudo, Ilhas Canárias, Guatemala
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