15:06 23 Setembro 2021
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    As casas que vamos construir em Marte e na Lua podem acabar por ser um pouco menos higiênicas do que as moradias na Terra.

    Uma nova série de experimentos permitiu fabricar um tipo de concreto que futuramente pode ser usado nas colônias no espaço. O material resultou da combinação de regolito (poeira e outros detritos que cobrem as rochas de Marte e da Lua) com uma proteína do sangue humano e um composto encontrado na urina humana, suor e lágrimas. O regolito foi naturalmente simulado e não trazido do espaço.

    Esses materiais biocompósitos são mais resistentes do que o concreto regular e podem ser úteis para fazer edifícios em outros mundos.

    A ideia não é nova: o sangue dos animais foi utilizado para ligar argamassas na Idade Média - mas não é uma solução que se possa esperar encontrar no espaço.

    "Os cientistas têm tentado procurar tecnologias viáveis para produzir materiais semelhantes ao concreto na superfície de Marte, mas nós nunca paramos de pensar que a resposta pode estar dentro de nós todo o tempo", disse o engenheiro de materiais Aled Roberts da Universidade de Manchester, no Reino Unido.

    Quando finalmente estabelecermos assentamentos humanos fora da Terra, vamos ter que ser um pouco criativos. Cada quilo de um foguete conta.

    Conforme dados recentes, em um lançamento de foguete, um quilo de carga custa pelo menos US$ 1.500 (R$ 7.843). Um relatório de 2017 descobriu que poderia custar até US$ 2 milhões (R$ 10,46 milhões) para enviar um único tijolo para Marte, escreve o portal Science Alert.

    ​AstroCrete - concreto marciano feito de sangue e urina de astronauta

    Então, se pudermos construir edifícios a partir de materiais que já estão à mão, facilitará muito a tarefa.

    Foram realizados experimentos com utilização de regolito simulado da Lua e Marte, mostrando que esse pode ser um material de construção bem viável. Porém, ainda será preciso colá-lo e é aí que o corpo humano pode ser útil.

    Uma equipe de cientistas criou um material chamado AstroCrete que utiliza a proteína albumina encontrada no plasma sanguíneo humano para ligar o cimento e o composto da urina – a ureia - que ajuda a plastificar o material, tornando-o menos frágil e mais flexível.

    Estes materiais tinham uma resistência à pressão de até 25 MPa, comparável aos 20 - 32 MPa que o concreto comum possui aqui na Terra. A adição de ureia tornou o material ainda mais impressionante, aumentando a resistência do AstroCrete para 39,7 MPa.

    Durante um período de dois anos, seis humanos poderiam doar albumina suficiente para construir 500 kg de AstroCrete. A contribuição de cada membro poderia prover material de construção suficiente para expandir o habitat, de maneira a acomodar essa mesma pessoa, conforme cálculos dos pesquisadores.

    No entanto, ainda é necessário realizar mais estudos. Já que não sabemos os efeitos na saúde a longo prazo da doação contínua de plasma nas condições de baixa gravidade e alta radiação.

    O estudo foi publicado na revista Materials Today Bio. Os autores da pesquisa escrevem: "Acreditamos que biocompósitos de regolito extraterrestre de albumina e soro humano poderiam potencialmente ter um papel importante na colônia nascente em Marte".

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    Tags:
    Marte, estudo, Lua, concreto
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