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    A torre do povoado ibero de L'Assut, em Tarragona, foi totalmente destruída após um ataque romano no final do século III d.C. No entanto, não foi suficiente para acabar com o assentamento, que se manteve quase mais um século.

    Concretamente, ele ainda permaneceu uns 75 anos, conforme assegura em conversa com a Sputnik o arqueólogo e diretor das escavações, Jordi Diloli. "Depois desses anos, o povoado foi abandonado pacificamente", explica. "Presumimos que as pessoas desceram para viver no vale em um sistema econômico e social diferente."

    Arqueólogos da Universidade Rovira e Virgili, em Tarragona, Espanha, localizaram em uma de suas escavações uma panóplia de guerra composta por várias armas, entre elas, uma ponta de lança, um soliferreum, isto é uma arma de arremesso de ferro muito característico do armamento pré-romano peninsular que poderia perfurar mais de um guerreiro se estivesse em fila, bem como uma faca com lâmina e pelo menos um fragmento identificável da bainha de uma espada, embora a própria espada não tenha sido encontrada.

    "As armas eram normalmente consideradas um bem muito precioso que definia a posição social, e por isso aparecem em necrópoles porque eram enterradas com os mortos", conta o especialista.

    "No mundo dos vivos, as armas, sendo tão importantes, desaparecem ou aparecem associadas a rituais, mas no habitat normal elas não aparecem, porque se o abandono é pacífico, elas são levadas, e se é forçado, elas são mantidas. Quando a torre desmoronou, as armas ficaram lá dentro. Mas o curioso é que nem a espada, nem o capacete, comuns neste tipo de guerreiros, estão lá. Talvez este fosse o elemento que mais marcava o status".

    O lote corresponde ao conjunto de armas ofensivas praticamente completo de um guerreiro ibero. É muito provável que fosse a residência de um personagem distinto, que tinha alguma primazia sobre o resto dos habitantes do povoado.

    Faca de guerreiro ibero encontrada no povoado de L'Assut, em Tarragona
    © Foto / Gresepia
    Faca de guerreiro ibero encontrada no povoado de L'Assut, em Tarragona

    Possivelmente, as panóplias completas pertenciam aos grupos mais favorecidos da comunidade, elites que participavam das decisões políticas de seu coletivo. Mesmo assim, as armas estavam associadas não tanto a uma elite aristocrática como ao estatuto de "homem livre". Isso significa que uma pessoa podia decidir livremente e participar de decisões políticas, semelhante ao mundo grego.

    "O mundo ibero não é homogêneo. No sul da península predominava a aristocracia. Mas no norte não está tão claro por que no nordeste peninsular não havia necrópoles dessa época e as casas não se diferenciavam muito das outras. Falamos sobre uma sociedade de homens e mulheres livres que participavam do poder. O que define o homem livre é o poder de decidir e, sobretudo, o uso das armas, algo nunca será permitido a um escravo ou servidor."

    Quem era o dono ou proprietário dessas armas - um homem ou uma mulher, permanece um mistério não resolvido. E não seria estranho se tivesse pertencido a uma guerreira, pois em algumas necrópoles se encontraram tumbas com armas em túmulos femininos.

    "A guerra sempre esteve associada com o homem, mas a posse das armas não", afirma Diloli. "Por ser um bem muito precioso poderia também estar nas mãos de mulheres".

    Os especialistas também encontraram ferramentas relacionadas à produção agrícola e tarefas domésticas. Os responsáveis por esta descoberta são os arqueólogos do grupo de pesquisa Seminari de Protohistòria i Arqueologia (Gresepia) da URV. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Gladius.

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    Tags:
    escavação, Espanha, faca, armas
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