20:48 23 Setembro 2021
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    Com uma envergadura de sete metros e uma boca repleta de presas, pterossauro descoberto recentemente teria dominado os céus do noroeste da Austrália cerca de 110 milhões de anos atrás.

    É uma das maiores espécies de pterossauro já encontradas no continente e um achado extremamente importante que contribui para o entendimento da diversidade dessa espécie na Austrália, escreve o portal Science Alert, referindo-se a um estudo publicado na revista científica Journal of Vertebrate Paleontology.

    "É a coisa mais próxima que temos de um dragão na vida real", disse o paleontologista Tim Richards, da Universidade de Queensland, na Austrália.

    "O novo pterossauro, designado Thapunngaka shawi, teria sido uma besta temível, com uma boca em forma de lança e uma envergadura de asas de cerca de sete metros. Era essencialmente apenas um crânio com um longo pescoço, aparafusado em um par de asas longas", detalhou o especialista.

    "Esta coisa teria sido bastante selvagem. Teria lançado uma grande sombra sobre um pequeno dinossauro trêmulo que não teria ouvido até ser tarde demais", acrescenta Richards.

    Esboço hipotético do Thapunngaka shawi
    Esboço hipotético do Thapunngaka shawi

    Os restos de pterossauro na Austrália são excepcionalmente raros. Como os de aves de hoje, seus ossos, otimizados para voos, eram ocos e quebradiços, e assim muito poucos sobreviveram até os dias atuais.

    Menos de 20 espécies do continente foram descritas, e apenas três antes do T. shawi foram nomeadas. Apenas dois pterossauros australianos pertenceram ao gênero conhecido como Anhanguera. T. shawi marca o terceiro desse gênero vindo da Austrália, todos do estado de Queensland.

    Sua descrição é baseada no fragmento de mandíbula e nos dados que sabemos de outros pterossauros Anhanguera. Seu nome é uma homenagem ao caçador de fósseis que o encontrou, Len Shaw, e incorpora palavras de uma língua dos povos das primeiras nações que habitavam a região, a nação Wanamara.

    "O nome do gênero, Thapunngaka, incorpora thapun [ta-boon] e ngaka [Nga-ga], as palavras Wanamara para 'lança/ferrão' e 'boca', respectivamente", explicou o paleontologista Steve Salisbury, também da Universidade de Queensland.
    Reconstrução do crânio de T. shawi
    Reconstrução do crânio de T. shawi

    Conforme reconstrução do réptil, o crânio do T. shawi tinha cerca de um metro de comprimento, com cerca de 40 dentes, utilizando a mandíbula longa e poderosa para arrancar peixes da água.

    Particularmente interessante foi a descoberta de uma grande crista óssea na parte inferior da mandíbula do animal. É a partir dessa crista que os pesquisadores estimaram o tamanho do pterossauro e concluíram que se tratava da maior crista mandibular conhecida de qualquer Anhanguera.

    Caso suas estimativas estejam corretas, T. shawi é o terceiro maior pterossauro Anhanguera conhecido mundialmente. Isso sugere que os pterossauros australianos rivalizaram com espécies contemporâneas de outros continentes.

    "É incrível que existam fósseis destes animais", expressou Richards.

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    Tags:
    dinossauro, Austrália, paleontologia, restos
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