15:48 23 Setembro 2021
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    Estrelas "frias" espalhadas pelo cosmos parecem diferentes, mas podem ser mais parecidas do que se pensava no que diz respeito à explicação de condições para gerar vida, segundo pesquisadores.

    Um novo trabalho de modelagem feito por cientistas da Universidade Rice, no Texas, EUA, mostra que estrelas "frias" parecidas com o Sol compartilham os comportamentos dinâmicos da superfície que influenciam seus ambientes energéticos e magnéticos. Esta atividade magnética estelar é a chave para saber se o sistema solar de uma estrela pode hospedar planetas que poderiam suportar vida.

    O trabalho da pesquisadora de pós-doutorado da Universidade Rice, Alison Farrish, e dos astrofísicos David Alexander e Christopher Johns-Krull, que foi publicado no The Astrophysical Journal, relaciona a rotação de estrelas "frias" com o comportamento de seu fluxo magnético de superfície, que por sua vez impulsiona a luminosidade de raios-X da estrela, de uma forma que pode ajudar a prever como a atividade magnética afeta quaisquer exoplanetas em seus sistemas.

    Sistema estelar HR 8799 (representação artística)
    Sistema estelar HR 8799 (representação artística)

    O estudo segue outro liderado por Farrish e Alexander, que mostrou que "todas as estrelas giram para baixo ao longo de suas vidas à medida que perdem o momento angular e, como resultado, ficam menos ativas", explicou Farrish ao site universitário.

    "Achamos que o Sol no passado era mais ativo e isso pode ter afetado a química atmosférica inicial da Terra. Portanto, pensar sobre como as emissões de energia mais altas das estrelas mudam em longas escalas de tempo é muito importante para os estudos de exoplanetas", contou.

    Modelos estelares

    Os pesquisadores se propuseram a modelar como são estrelas longínquas com base nos dados limitados disponíveis. Seus modelos sugerem que o "clima espacial" de cada estrela funciona da mesma maneira, influenciando as condições em seus respectivos planetas.

    "O estudo sugere que as estrelas - pelo menos as estrelas frias - não são muito diferentes umas das outras", disse Alexander. "Isso também sugere algo muito mais interessante para a física estelar estabelecida, que o processo pelo qual um campo magnético é gerado pode ser bastante semelhante em todas as estrelas frias. Isso é uma surpresa", disse ele. Isso pode incluir estrelas que, ao contrário do Sol, são convectivas até o núcleo.

    "Mas estrelas com menos de um terço da massa do Sol não têm uma zona radiativa, elas são convectivas em todos os lugares", explicou ele. Já Alison Farrish enfatiza que "essas estrelas são interessantes porque podem fornecer ambientes mais hospitaleiros para os planetas".

    Aglomerado estelar aberto NGC 3603 situado no braço espiral de Carina-Sagitário, na Via Látea, a cerca de 20 mil anos-luz de distância do Sistema Solar
    © NASA . NASA, ESA
    Aglomerado estelar aberto NGC 3603 situado no braço espiral de Carina-Sagitário, na Via Látea, a cerca de 20 mil anos-luz de distância do Sistema Solar

    "Temos que deixar claro que não estamos simulando nenhuma estrela ou sistema específico", destaca ela.

    Johns-Krull acredita que o modelo ainda será útil de várias maneiras. "Uma das minhas áreas de interesse é estudar estrelas muito jovens, muitas das quais são, como estrelas de baixa massa, totalmente convectivas", relevou.

    "Muitas delas têm material de disco ao seu redor e ainda estão formando planetas. A forma como elas interagem é mediada, pensamos, pelo campo magnético estelar", detalhou.

    "Portanto, o trabalho de modelagem de Alison [Farrish] pode ser usado para aprender sobre a estrutura em grande escala de estrelas muito magneticamente ativas e isso pode nos permitir testar algumas idéias sobre como essas estrelas jovens e seus discos interagem", conclui ele.

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    Tags:
    estrelas, vida, planeta, potencial, explicação, EUA
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