06:07 01 Agosto 2021
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    1201
    Nos siga no

    Astrônomos revelaram que o objeto recém-identificado na periferia do Sistema Solar é aparentemente o maior cometa conhecido até agora, descoberto pela rede de telescópios do Observatório de Las Cumbres (LCO).

    A descoberta do objeto, denominado C/2014 UN271 ou cometa Bernardinelli-Bernstein, foi anunciada pela primeira vez em 19 de junho de 2021 através do reprocessamento de dados da Dark Energy Survey, ou Pesquisa de Energia Negra, um projeto internacional entre 2013 e 2019 que buscava mapear objetos astronômicos como galáxias e supernovas, escreve portal SciTechDaily.

    Naquele momento não havia nenhuma indicação de que este era um cometa ativo. O C/2014 UN271 estava chegando dos gélidos confins exteriores do Sistema Solar e eram necessárias imagens para descobrir quando o objeto revelaria a sua cauda de cometa.

    O observatório de Las Cumbres conseguiu determinar rapidamente que o objeto era um cometa ativo, três anos após ter sido visto pela primeira vez pelo Dark Energy Survey.

    Cometa C/2014 UN271 (Bernardinelli-Bernstein) visto em uma imagem composta de cores sintéticas feita pelo Observatório de Las Cumbres. A nuvem difusa é o coma do cometa
    © Foto / LOOK / LCO
    Cometa C/2014 UN271 (Bernardinelli-Bernstein) visto em uma imagem composta de cores sintéticas feita pelo Observatório de Las Cumbres. A nuvem difusa é o coma do cometa
    "Uma vez que o novo objeto estava longe no sul e bastante desfocado, sabíamos que não haveria muitos outros telescópios que pudessem observá-lo" afirma Tim Lister, cientista da equipe do LCO.

    "Felizmente, o LCO tem uma rede de telescópios robóticos em todo o mundo, particularmente no Hemisfério Sul, e conseguimos obter rapidamente imagens dos telescópios LCO na África do Sul", explicou.

    As imagens de um dos telescópios LCO sul-africanos chegaram na noite de segunda-feira, 22 de junho. Os astrônomos da Nova Zelândia que são membros do Projeto LCO foram os primeiros a notar o novo cometa.

    "[…] A primeira imagem mostrava o cometa obscurecido por uma série de satélites. Mas outras [imagens] eram suficientemente nítidas e lá estava definitivamente um belo pontinho difuso, e não tão nítido como as estrelas vizinhas", disse Michele Bannister da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia.

    A análise das imagens do LCO mostraram que havia uma atmosfera difusa ao redor do objeto. Essa atmosfera, chamada coma, são fluxos de poeira e gás liberados, causados pelos efeitos da radiação solar e ventos solares sobre o núcleo do objeto. Tal indica que é de fato um cometa, embora esteja a uma distância notável: cerca de 2.896.819.200 km, mais do que o dobro da distância do Sol até Saturno.

    Estima-se que o cometa tenha mais de 100 km de diâmetro, o que é mais de três vezes o tamanho do núcleo do segundo maior cometa conhecido até hoje, o Hale-Bopp, descoberto em 1995.

    Mais:

    Revelado novo tipo de cataclismo astronômico que poderia resolver mistério de bilhões de anos
    Estrela incomum em forma de lágrima é detectada a 1.500 anos-luz da Terra
    Isótopo é detectado pela 1ª vez na atmosfera de exoplaneta
    Tags:
    radiotelescópio, astronomia, Sistema Solar, cometa
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar