13:52 04 Agosto 2021
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    Um bolor limoso amarelo que vive na vegetação úmida continua testando nossa compreensão na área de tomada de decisões.

    Em um novo estudo, cujos resultados foram publicados na revista cientifica Advanced Materials e foi conduzido por pesquisadores do Instituto Wyss da Universidade de Harvard e do Centro de Descobertas Allen da Universidade de Tufts, nos EUA, testaram a consciência ambiental de um tipo de bolor limoso chamado Physarum polycephalum, escreve portal Science Alert.

    Em outras palavras, os cientistas observaram como esse organismo, que não possui nem cérebro nem sistema nervoso, usa seu corpo para detectar sinais mecânicos em seu entorno para realizar certos cálculos e decidir em que direção tem que crescer.

    O referido bolor é um organismo eucarioto (cujas células contêm núcleo celular) que pertence ao reino protista (que basicamente engloba tudo o que não pertence aos outros três reinos) e consiste de um plasmódio, ou seja, uma grande célula única que contém muitos núcleos celulares que flutuam em um líquido citoplasmático.

    A autora principal do novo estudo, a neurocientista Nirosha Murugan da Universidade de Algoma no Canadá, explicou que "as pessoas se interessam mais por Physarum porque ele não tem cérebro, mas mesmo assim consegue executar muitos comportamentos que nós associamos com o pensamento, como resolver labirintos, aprender coisas novas e prever eventos", disse.

    "Descobrir como a vida protointeligente funciona para fazer este tipo de cálculo nos dá mais informações sobre os fundamentos da cognição e o comportamento dos animais, incluindo o nosso", acrescentou.

    Em sua pesquisa, os cientistas colocaram amostras de Physarum em placas de Petri em um gel de ágar semiflexível. De um lado da placa foi colocado um pequeno disco de vidro, enquanto do outro foram colocados três discos juntos, ao lado uns dos outros. Assim, os organismos foram deixados crescer livremente na escuridão durante 24 horas com os pesquisadores monitorando seus padrões de crescimento.

    Eles descobriram que durante as primeiras 12 horas o bolor limoso cresceu uniformemente em todas as direções, mas mais tarde 70% das amostras começaram a crescer na direção dos três discos e não na direção do disco isolado.

    Cientistas concluíram que o organismo era capaz de sentir a maior tensão produzida pelo maior conjunto de objetos que havia na placa, o que indicava que esse lado da placa era uma área que deveria explorar preferencialmente.

    No entanto, quando os três discos foram colocados uns em cima do outros, em vez de uns ao lado dos outros, o bolor limoso perdeu a preferência e cresceu para ambos os lados aproximadamente à mesma velocidade.

    A pesquisa lança luz sobre a evolução dos organismos aneurais, bem como sobre a possível reprodução das suas capacidades na robótica ou nas redes neurais.

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    Tags:
    rede neural, pesquisa, criatura, microrganismos
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