06:02 03 Agosto 2021
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    Pesquisadores australianos encontraram estratégias reprodutivas diferentes em uma abelha sem necessitar de rainha, mas produzindo descendentes, operárias, com as últimas se envolvendo em comportamento "egoísta".

    As abelhas operárias da subespécie Apis mellifera capensis, conhecida também como abelha do Cabo ou sul-africana, podem se reproduzir criando clones de si mesmas, dizem cientistas da Universidade de Sidney, Austrália.

    Embora as rainhas se reproduzam pela via sexual, as abelhas operárias desta espécie usam o método de partenogênese para se reproduzirem assexuadamente, sem a fertilização dos ovos, apesar de isso implicar uma perda de diversidade genética da espécie.

    "Cada vez que ela cria descendência, a abelha operária monoparental replicará os cromossomos que recebeu de seus pais (uma rainha e um zangão macho) em quatro", explica o portal Live Science.

    "Em seguida, ela pega o material genético de todos os quatro cromossomos, o embaralha, e cria quatro cromossomos com aquele DNA misturado através de um processo chamado recombinação. Esta recombinação garante que, mesmo com apenas um progenitor, os futuros descendentes serão geneticamente diferentes", continua a mídia.

    Durante o estudo, que foi publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, os pesquisadores compararam os genomas das operárias com os da rainha e sua linhagem, para isso colocaram uma fita sobre os órgãos reprodutivos da rainha, fazendo-a procriar assexuadamente. Depois, fizeram o mesmo com operárias da mesma colmeia.

    Os resultados demonstraram que o grau de recombinação da descendência da rainha era 100 vezes maior que o das operárias, sugerindo que as últimas obtiveram uma mutação genética que lhes permite produzir uma linhagem quase idêntica sem perda de material genético.

    Lado negro da capacidade

    Esta parece ser uma capacidade problemática, pois as operárias podiam facilmente colocar sua descendência em posições de poder, replicando-se continuamente, em vez de trabalhar em prol da colônia, inclusive descartando a necessidade de criar uma nova rainha.

    Existem também células, chamadas células-rainhas, onde a rainha põe os ovos contendo as futuras rainhas. É perfeitamente possível que uma operária venha de outra colônia, ou uma das operárias existentes nessa colônia, para substituir esse ovo-rainha por um de seus ovos-clones. Dessa forma, elas podem ser reencarnadas geneticamente como rainha", revelou Benjamin Oldroyd, professor de genética comportamental na Universidade de Sydney, ao Live Science.

    Isso é algo que tem acontecido frequentemente com as colmeias das planícies africanas, onde as operárias Apis mellifera capensis depositam o maior número possível de ovos, que as abelhas das planícies africanas confundem com seus descendentes. Os clones eclodidos exploram sua situação exigindo ser alimentados, aumentando frequentemente seu tamanho até quase o da rainha.

    "É incrível. Também é incrivelmente disfuncional. No entanto, de alguma maneira elas conseguiram fazer isso [depositar ovos]. É uma loucura, nunca ouvi falar de nada assim, em nenhum lugar", comenta Oldroyd.

    Após algum tempo, este comportamento parasita dos milhões de descendentes de uma única operária, que viveu em 1990, acaba colapsando as colmeias. Oldroyd afirma que 10% das colônias de abelhas das terras baixas da África se perdem todos os anos devido a esta linhagem de abelhas, razão pela qual sua equipe quer descobrir como as rainhas ligam o gene de recombinação e as operárias o desligam, bem como o que desencadeia o colapso das colmeias.

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    Tags:
    África do Sul, África, Live Science, Austrália, Sidney
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