06:00 01 Agosto 2021
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    Antigo fóssil chinês pode ser elo perdido da linhagem dos hominídeos. Segundo cientistas, o crânio preservou detalhes morfológicos essenciais para a compreensão da evolução do gênero Homo e da origem do Homo sapiens.

    Um antigo fóssil humano quase perfeitamente preservado, conhecido como crânio de Harbin, está no Museu de Geociências da Universidade Hebei GEO, na China. O maior dos crânios de Homo conhecidos, os cientistas agora dizem que este crânio representa uma espécie humana recém-descoberta chamada Homo longi ou "Homem Dragão".

    Suas descobertas, publicadas em três artigos nesta sexta-feira (25) na revista The Innovation, sugerem que a linhagem do Homo longi pode ser nosso parente mais próximo e podem remodelar nossa compreensão da evolução humana.

    "O fóssil de Harbin é um dos fósseis cranianos humanos mais completos do mundo", diz o autor Qiang Ji, professor de paleontologia da Hebei GEO. "Este fóssil preservou muitos detalhes morfológicos que são essenciais para a compreensão da evolução do gênero Homo e da origem do Homo sapiens".
    Esta imagem mostra comparações entre o Homem de Pequim, Maba, Jinniushan, Dali e o crânio de Harbin (da esquerda para a direita)
    © Foto / Kai Geng
    Esta imagem mostra comparações entre o Homem de Pequim, Maba, Jinniushan, Dali e o crânio de Harbin (da esquerda para a direita)

    O crânio, provavelmente masculino e de cerca de 50 anos de idade, foi descoberto na década de 1930 na cidade de Harbin, na província de Heilongjiang, na China. Pelo tamanho poderia conter um cérebro comparável ao dos humanos modernos, mas com órbitas maiores, quase quadradas, sobrancelhas grossas, boca larga e dentes enormes.

    Reconstrução tridimensional do crânio de Harbin
    © Foto / Xijun Ni
    Reconstrução tridimensional do crânio de Harbin
    "Como o Homo sapiens, eles caçavam mamíferos e pássaros, colhiam frutas e vegetais e talvez até pescassem", observa o autor Xijun Ni, professor de primatologia e paleoantropologia da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade Hebei GEO.

    Usando uma série de análises geoquímicas, Ji, Ni e sua equipe dataram o fóssil de Harbin em pelo menos 146 mil anos, situando-o no Pleistoceno Médio, uma era dinâmica de migração da espécie humana. Eles levantam a hipótese de que Homo longi e Homo sapiens poderiam ter se encontrado durante esta era.

    "Se o Homo sapiens realmente chegou ao Leste Asiático tão cedo, eles poderiam ter a chance de interagir com Homo longi, e como não sabemos quando o grupo Harbin desapareceu, poderia ter havido encontros posteriores também", diz Chris Stringer, um paleoantropólogo do Museu de História da Natureza em Londres.

    Analisando mais para trás no tempo, os pesquisadores também descobriram que o Homo longi é um de nossos parentes hominídeos mais próximos, ainda mais parente de nós do que os neandertais.

    Esta imagem mostra uma reconstrução do Homem Dragão em seu habitat
    © Foto / Chuang Zhao
    Esta imagem mostra uma reconstrução do "Homem Dragão" em seu habitat
    "É amplamente aceito que o Neandertal pertence a uma linhagem extinta que é o parente mais próximo de nossa própria espécie. No entanto, nossa descoberta sugere que a nova linhagem que identificamos que inclui o Homo longi é o verdadeiro grupo irmão do Homo sapiens", disse Ni.

    Se comprovado, provavelmente divergimos dos Neandertais cerca de 400 mil anos antes do que os cientistas pensavam. Os pesquisadores afirmam que as descobertas obtidas no crânio de Harbin têm o potencial de reescrever elementos importantes da evolução humana.

    Sua análise da história de vida do Homo longi sugere que eles eram humanos fortes e robustos, cujas interações potenciais com o Homo sapiens podem ter moldado nossa história.

    "Ao todo, o crânio de Harbin fornece mais evidências para que possamos compreender a diversidade Homo e as relações evolutivas entre essas diversas espécies e populações Homo. Nós encontramos nossa linhagem irmã há muito perdida", reafirma Ni.

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    Tags:
    descoberta, China, homem, dragão, neanderthal, crânio, homo sapiens
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