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    Mundo enfrentando SARS-CoV-2 no final de junho de 2021 (20)
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    Pesquisadores desenvolveram um método inovador para analisar células sanguíneas, chamado citometria de deformabilidade em tempo real (RT-DC, na sigla em inglês).

    Pesquisadores do Instituto Max Planck de Física e Medicina e da Universidade Erlangen-Nurenberg, ambas na Alemanha, conseguiram provar pela primeira vez que uma infecção por COVID-19 causa mudanças significativas no tamanho e na rigidez dos glóbulos vermelhos e brancos, às vezes durando vários meses. Essas descobertas podem ajudar a explicar por que alguns pacientes ainda apresentam sintomas muito tempo depois de terem contraído o SARS-CoV-2. Os resultados foram publicados na revista científica Biophysical Journal.

    "Fomos capazes de medir mudanças significativas e duradouras nas células, tanto durante a fase aguda da infecção como depois disso", relata Jochen Guck, um dos autores do estudo, citado em comunicado divulgado nesta segunda-feira (21). Guck explica que isso tem consequências no modo como a doença é diagnosticada e tratada.

    Falta de ar, fadiga e dores de cabeça estão entre os efeitos colaterais de quem teve uma COVID-19 severa por seis meses ou mais. Tornou-se aparente que a doença frequentemente prejudica a circulação sanguínea e pode levar à congestão perigosa dos vasos sanguíneos, restringindo o transporte de oxigênio na corrente sanguínea. As células sanguíneas e suas propriedades físicas têm um papel fundamental em cada um desses fenômenos.

    Funcionário de hospital em unidade para pacientes de COVID-19 no Hospital das Clínicas, em Porto Alegre
    © AP Photo / Jefferson Bernardes
    Funcionário de hospital em unidade para pacientes de COVID-19 no Hospital das Clínicas, em Porto Alegre

    Método inovador

    Utilizando um método que eles próprios desenvolveram, chamado citometria de deformabilidade em tempo real (RT-DC, na sigla em inglês), os pesquisadores analisaram as células sanguíneas.

    O procedimento envolve o envio de células sanguíneas por um canal estreito. Os leucócitos e eritrócitos são alongados durante o processo e uma câmera de alta velocidade fotografa tudo através de um microscópio. Por fim, um software especial determina o tipo de célula, seu tamanho e quão severamente deformada ela está.

    Até mil células sanguíneas podem ser investigadas por segundo com esse método. Espera-se que o método possa agir no futuro como um sistema de alerta precoce para detectar novos vírus com potencial de desencadear outra pandemia.

    Imagem colorida de microscópio eletrônico de varredura mostra uma célula fortemente infectada com partículas do SARS-CoV-2, também conhecido como novo coronavírus
    © REUTERS / NIAID / NIH / Handout
    Imagem colorida de microscópio eletrônico de varredura mostra uma célula fortemente infectada com partículas do SARS-CoV-2, também conhecido como novo coronavírus

    Os cientistas foram capazes de analisar mais de quatro milhões de células sanguíneas de 17 pacientes na fase aguda de uma infecção por COVID-19, 14 indivíduos que se recuperaram de uma infecção e 24 indivíduos saudáveis.

    Os resultados mostraram que o tamanho e a maleabilidade dos glóbulos vermelhos variavam consideravelmente mais nas pessoas que sofriam da doença do que nos voluntários saudáveis. Isso indica que a doença danifica as células sanguíneas e pode explicar o aumento do risco de congestão dos vasos sanguíneos e coágulos sanguíneos nos pulmões.

    Também pode explicar por que o suprimento de oxigênio fica prejudicado em quem contraí o SARS-CoV-2, já que essa é uma das principais tarefas realizadas pelos eritrócitos.

    Quanto aos glóbulos brancos, os pesquisadores descobriram que os linfócitos (glóbulos brancos envolvidos na resposta imune) em pacientes com COVID-19 exibiram uma diminuição considerável na rigidez, o que pode indicar uma forte resposta imunológica.

    Os cientistas observaram ainda uma situação semelhante com granulócitos neutrofílicos, outro grupo de glóbulos brancos responsável ​​pela resposta imune intrínseca. Essas células permaneceram dramaticamente alteradas mesmo sete meses após a infecção aguda.

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