21:03 23 Junho 2021
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    Mundo em meio à pandemia da COVID-19 no fim de maio de 2021 (61)
    235
    Nos siga no

    Esta é a primeira vez que o laboratório em Hubei, que se tornou centro de teorias da conspiração, divulga detalhes de coronavírus que coletou vários anos atrás.

    Pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan, na China, descobriram um novo ramo na árvore genealógica dos coronavírus de morcegos. Os oito vírus identificados agora estão mais distantes do SARS-CoV-2, que causa a COVID-19 do que vários outros vírus conhecidos, mas têm altos níveis de similaridade em certas áreas do genoma, disseram os pesquisadores.

    "Esses resultados sugeriram que o [coronavírus] que descobrimos nos morcegos agora podem ser apenas a ponta do iceberg", lê-se no artigo disponibilizado no site de pré-impressão bioRxiv e citado pelo jornal South China Morning Post nesta terça-feira (25).

    Esta é a primeira vez que o laboratório, que se tornou o centro de teorias de que a pandemia de COVID-19 teria começado a partir de um vazamento do local, divulga detalhes de vírus que coletou vários anos atrás.

    Trabalhador desinfeta do lado de fora do Centro Hospitalar de Wuhan, na China
    © AP Photo / Ng Han Guan
    Trabalhador desinfeta do lado de fora do Centro Hospitalar de Wuhan, na China

    Nova linhagem

    O novo estudo do Instituto de Virologia de Wuhan examina oito vírus coletados durante uma visita em 2015 a uma cidade na província de Yunnan, no sudoeste chinês. A recolha foi feita a partir de 1.000 amostras de morcegos dentro e ao redor de uma mina ao longo de um período de três anos.

    O trabalho começou depois que várias pessoas que haviam visitado a mina adoeceram. Depois que os testes mostraram que as pessoas não estavam doentes com um vírus conhecidos, os cientistas suspeitaram que os pacientes haviam sido infectados por um vírus desconhecido e começaram a procurar na mina por vírus de morcegos.

    Os vírus descobertos na caverna estão em uma categoria que inclui os vírus que causam a síndrome respiratória aguda grave e a COVID-19. Um, conhecido como RaTG13 e descrito em artigo publicado fevereiro, continua sendo o mais próximo em relação ao SARS-CoV-2. Os oito vírus restantes são os descritos no novo estudo.

    Muito semelhantes entre si, os novos coronavírus eram no máximo pouco mais de 77% idênticos ao genoma do SARS-CoV-2. Nenhum foi isolado no laboratório, disseram os pesquisadores. A mídia ressalta que, a partir do estudo, não fica claro por que as informações genéticas completas sobre a nova linhagem não foram divulgadas antes.

    Imagem colorida de microscópio eletrônico de varredura mostra uma célula fortemente infectada com partículas do SARS-CoV-2, também conhecido como novo coronavírus
    © REUTERS / NIAID / NIH / Handout
    Imagem colorida de microscópio eletrônico de varredura mostra uma célula fortemente infectada com partículas do SARS-CoV-2, também conhecido como novo coronavírus

    Teoria do vazamento de vírus

    As origens da COVID-19 permanecem desconhecidas e altamente controversas, mais de um ano depois que o SARS-CoV-2 foi detectado pela primeira vez em dezembro de 2019 em Wuhan. Quando a doença se espalhou pelo mundo convertendo-se em uma pandemia, teorias sobre a origem do vírus começaram a se espalhar pela Internet.

    A ideia de que o vírus foi produzido por laboratórios foi vocalizada pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que classificou a doença como "vírus chinês" em diversas ocasiões. Em janeiro, seu governo afirmou que tinha "crescentes evidências" de que o SARS-CoV-2 tinha saído de um laboratório, o que nunca foi provado.

    Em março de 2021, um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma ser "extremamente improvável" que o novo coronavírus tenha escapado de um laboratório chinês. No entanto, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, solicitou a continuidade da investigação sobre o vazamento do coronavírus a partir do laboratório.

    No domingo (23), o jornal The Wall Street Journal revelou que três pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan ficaram tão doentes em novembro de 2019 que procuraram atendimento hospitalar. As informações são de um relatório anteriormente não divulgado da inteligência dos EUA.

    O Ministério das Relações Exteriores da China acusou Washington de tentar promover a teoria de vazamento do vírus SARS-CoV-2 do laboratório chinês. "[Os EUA] estão realmente preocupados em localizar a fonte ou em tentar desviar a atenção?", afirmou a chancelaria chinesa.

    Comentando sobre o novo estudo dos pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan, Edward Holmes, biólogo da Universidade de Sydney, Austrália, afirmou ao jornal South China Morning Post que o artigo fornece mais evidências de que o laboratório de Wuhan não contém um vírus próximo o suficiente do SARS-CoV-2 para que tenha sido a fonte da pandemia de COVID-19.

    "Para que a alegação de 'vazamento de laboratório' seja verdadeira, este instituto deve possuir um vírus mais relacionado ao SARS-CoV-2 do que ao RaTG13", disse Holmes, observando que os vírus descritos agora estão "claramente distantes do SARS- CoV-2".

    "Isso também apenas reitera a incrível diversidade de coronavírus animais que existem na natureza", ressalta o biólogo.

    Tema:
    Mundo em meio à pandemia da COVID-19 no fim de maio de 2021 (61)

    Mais:

    Vacina russa Sputnik V é altamente efetiva contra variante brasileira da COVID, aponta estudo
    Pfizer inicia teste de vacina pneumocócica com dose de reforço contra COVID-19
    Índia inicia produção da vacina russa Sputnik V contra a COVID-19
    México autoriza testes de vacinas da China e da França contra a COVID-19
    Tags:
    SARS-CoV-19, pandemia, novo coronavírus, vírus, laboratório, China, Wuhan
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar