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    Chuvas de meteoros provenientes de cometas que orbitam o Sol são difíceis de detectar, mas uma equipe de pesquisadores descobriu que elas podem ser observadas perto da órbita da Terra com uma frequência de vários milhares de anos.

    Como os cometas que orbitam o Sol têm órbitas alongadas e seus detritos são muito pequenos, as chuvas de meteoros que eles criam costumam ser difíceis de detectar.

    O astrofísico e principal autor do estudo, Peter Jenniskens, do Instituto SETI, explica que a base das órbitas dos meteoroides (fragmentos muito pequenos de materiais que vagueiam pelo espaço) aumentou significativamente graças à expansão da rede de câmeras fotossensíveis CAMS (câmeras de vigilância de meteoros) que monitora meteoros visíveis e mede suas trajetórias. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Icarus.

    "Isso aumenta o conhecimento sobre o estado potencialmente perigoso dos cometas cuja última órbita próxima à Terra data de 2000 a.C.", enfatiza Jenniskins.

    Durante o estudo, a equipe de Jenniskens pesquisou o banco de dados CAMS para encontrar chuvas de meteoros associadas aos chamados cometas de longo período (os que retornam ao Sistema Solar em intervalos superiores a 200 anos).

    Radiante chuva de meteoros em dados CAMS (pontos amarelos) do cometa Thatcher em 22 de abril de 2021
    © Foto / P. Jenniskens / Instituto SETI
    Radiante chuva de meteoros em dados CAMS (pontos amarelos) do cometa Thatcher em 22 de abril de 2021
    "Até recentemente, sabíamos apenas que cinco cometas de longo período eram os corpos-mãe de uma de nossas chuvas de meteoros. Mas agora identificamos mais nove ou talvez até 15", diz o astrofísico.

    Os pesquisadores também descobriram que as chuvas de meteoros originadas por cometas de longo período podem durar vários dias, algo que "foi uma surpresa" para Jenkins, pois isso poderia significar que os cometas teriam retornado ao Sistema Solar várias vezes, enquanto suas órbitas teriam mudado gradualmente ao longo do tempo.

    Chuva de meteoros em dados CAMS (pontos amarelos) do cometa Thatcher em 22 de abril de 2021
    © Foto / P. Jenniskens / Instituto SETI
    Chuva de meteoros em dados CAMS (pontos amarelos) do cometa Thatcher em 22 de abril de 2021

    O cientista sugere que as chuvas mais esparsas são também as mais antigas. Isso, por sua vez, pode significar que meteoroides maiores se dividem em menores com o tempo.

    Os cometas possuem uma grande variedade de períodos orbitais, variando de poucos anos a centenas de milhares de anos, e acredita-se que alguns só passaram uma única vez no Sistema Solar interior antes de serem arremessados no espaço interestelar.

    Os cometas representam também apenas uma fração dos corpos que impactam a Terra, mas os astrônomos estão convencidos de que são justamente esses corpos estelares os responsáveis pelos maiores eventos em nosso planeta, já que podem ser muito grandes e impactar em grande velocidade devido às suas órbitas.

    Em seus próximos estudos, a equipe de Jenniskens espera detectar chuvas de meteoros mais fracas e rastrear as órbitas dos cometas-mãe localizados mesmo nas órbitas mais longas.

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    Tags:
    astrofísica, Sol, órbita, cometa, chuva, meteoro
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