21:42 23 Junho 2021
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    Pesquisadores ingleses usaram dados espectroscópicos para detectar quasares que mudam de luminosidade e que não eram captados em pesquisas fotométricas anteriores.

    Astrofísicos da Universidade de Bath, no Reino Unido, desenvolveram um novo método para localizar objetos extragaláticos extremamente raros. Eles esperam que sua técnica para encontrar quasares que mudam de luminosidade leve os cientistas um passo mais perto de desvendar um dos maiores mistérios do universo: como os buracos negros supermassivos crescem.

    Estudos anteriores usaram uma técnica chamada variabilidade fotométrica, que é conhecida por deixar escapar quasares de menor luminosidade. Agora, os pesquisadores de Bath usaram dados espectroscópicos para avaliar as mudanças em intervalos de comprimento de onda muito pequenos, permitindo detectar quasares que não tinham sido registrados em pesquisas fotométricas.

    Cientistas creem que os quasares sejam os responsáveis por regular o crescimento dos buracos negros supermassivos e suas galáxias hospedeiras. Um quasar é uma região de enorme luminosidade no centro de uma galáxia, alimentada por um buraco negro supermassivo - o maior tipo de buraco negro, com uma massa que excede a do nosso Sol em milhões ou bilhões.

    Os quasares de aparência mutável alternam rapidamente entre um estado de alta luminosidade e um de baixa luminosidade, e os cientistas ainda não descobriram por quê. Quando o brilho é reduzido, um quasar fica muito fraco para ser visto contra o pano de fundo da galáxia hospedeira, tornando difícil para os cientistas espaciais localizá-lo, ou o buraco negro supermassivo ao qual está conectado.

    Quasar Teacup – denominado assim por ter uma forma incomum – junto com o buraco negro supermassivo SDSS 1430 + 1339
    Quasar Teacup – denominado assim por ter uma forma incomum – junto com o buraco negro supermassivo SDSS 1430 + 1339

    O novo método de detecção (dados espectroscópicos) permitirá aos pesquisadores encontrar quasares que passam por mudanças extremas de luminosidade e, portanto, criar um censo mais abrangente de buracos negros supermassivos. O estudo foi publicado na Astronomy & Astrophysics.

    O próximo passo será estudar as causas das mudanças de luminosidade, para dar aos cientistas uma melhor compreensão de como os buracos negros supermassivos crescem. Daí, é provável que surjam pistas sobre a cadeia de eventos que dá origem ao crescimento das galáxias, já que a produção de energia de buracos negros supermassivos pode afetar o destino das galáxias.

    O astrofísico Dr. Carolin Villforth, que esteve envolvido na pesquisa, disse: "Esses quasares e buracos negros supermassivos são extremamente importantes para a evolução da galáxia - quanto mais aprendemos sobre eles, mais entendemos como eles influenciam o crescimento das galáxias."

    O que são exatamente os quasares?

    Os quasares são a fonte de luz persistente mais luminosa do Universo. Acredita-se que muitas galáxias, incluindo a nossa, tenham um. Eles são formados quando a matéria gasosa é atraída por forças gravitacionais em direção a um buraco negro supermassivo. A energia liberada dessa aproximação forma um disco de acreção na forma de radiação eletromagnética e é isso que produz a luminosidade do quasar.

    Usando essa técnica, eles avistaram quatro quasares de aparência mutável a milhões de anos-luz da Terra. Bart Potts liderou a pesquisa e explicou que, a partir dos dados, resolveu aplicar o novo método para ver se conseguiria identificar novos quasares.

    "Isso nos deu um conjunto maior de alterações - procurar quasares para um estudo mais aprofundado e validar que nossa metodologia era mais sensível do que outras, o que foi ótimo. Isso mostra que nossa metodologia é mais sensível à luminosidade mais fraca", detalhou Potts.

    A descoberta ajudará outros cientistas no aprofundamento de suas pesquisas, para saber por que esse tipo específico de quasar passa por mudanças de luminosidade.

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    Tags:
    Universo, astrofísica, buraco negro, Reino Unido, luz, galáxias
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