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    COVID-19 no mundo em meados de maio (35)
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    Anteriormente, se acreditava que o vírus estava mais presente em ambientes fechados, mas um novo estudo confirma que o coronavírus pode alcançar longas distâncias e se "fixar" por um tempo em sistemas de ventilação internos.

    Após a divulgação de um estudo publicado na revista Science, autoridades passaram a aceitar o que muitos pesquisadores argumentaram ser verdade por mais de um ano: o SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19, pode ser transmitido pelo ar que respiramos.

    Essa nova aceitação, por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), consistiu nas evidências que o estudo trouxe demonstrando que patógenos têm sim grandes chances de serem transportados pelo ar e ficarem nele por mais tempo do que imaginado, além de se "fixarem" por um tempo em sistemas de ventilação internos de salas e edifícios.

    Os cientistas também alertam que é necessária uma mudança na forma como os órgãos reguladores olham para qualidade do ar, afirmando que ela precisa ter a mesma importância que é dada a qualidade da água, por exemplo, segundo a Bloomberg.

    "Estamos acostumados com o fato de termos água limpa saindo de nossas torneiras, [da mesma forma] devemos esperar ar limpo, livre de poluentes e agentes patogênicos. Ninguém assume a responsabilidade pelo ar, é meio que aceito que o ar pode ser de qualquer qualidade, mesmo contendo vírus e patógenos", disse Lidia Morawska, uma das pesquisadoras do estudo citada pela mídia.

    Embora infecções transmitidas pelo ar, como tuberculose e sarampo sejam mais difíceis de rastrear do que os patógenos transmitidos por alimentos e água contaminados, pesquisas realizadas nos últimos 16 meses confirmam o papel dos aerossóis na disseminação do vírus pandêmico, segundo a mídia.

    Porém, apesar do conhecimento desse fato, houve resistência por parte da OMS, de alguns governos e até mesmo das pessoas para se fazer obrigatório o uso de máscaras em locais públicos abertos. Agora, um ano depois, é comprovado que o coronavírus pode ser transmitido por via aérea não só quando pessoas infectadas estão a menos de um metro de distância, como apontavam as diretrizes OMS, pois o ar "levaria" o vírus para maiores distâncias.

    Pessoas sem máscaras participam de um protesto contra as restrições do governo britânico para conter a propagação do coronavírus, em Londres, 20 de março de 2021
    © AP Photo / Alberto Pezzali
    Pessoas sem máscaras participam de um protesto contra as restrições do governo britânico para conter a propagação do coronavírus, em Londres, 20 de março de 2021

    Para Raina MacIntyre, professora de biossegurança global da Universidade de New South Wales, em 2020, o papel protagonista da transmissão do vírus pelo ar foi negado pela ausência de estudos científicos, mas agora com o fato comprovado, deve-se dar muita importância ao uso de máscaras, assim como lavar as mãos.

    "Uma falsa narrativa dominou a discussão pública por mais de um ano. Isso resultou em um teatro de higiene – esfregar as mãos e as superfícies com pouco ganho – enquanto a pandemia causava destruição em massa no mundo. Se não fizermos o que estamos dizendo agora, da próxima vez que vier uma pandemia, especialmente causada por um patógeno respiratório, será a mesma coisa", disse Maclentyre citada pela mídia.

    Com a pesquisa, os cientistas querem que a OMS estenda suas diretrizes sobre a qualidade do ar para cobrir patógenos transportados por via aérea e para construção de padrões de ventilação que incluam maior fluxo de ar, taxas de filtração, desinfecção e monitores que permitam ao público medir a qualidade do ar que está respirando.

    Tema:
    COVID-19 no mundo em meados de maio (35)
    Tags:
    OMS, novo coronavírus, COVID-19
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