20:56 18 Junho 2021
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    Cientistas simularam campos magnéticos e observaram tubarões capturados e colocados individualmente em uma piscina circular, concluindo que reagiam da mesma forma que na natureza.

    Os tubarões navegam pelos mares e oceanos usando os campos magnéticos terrestres, relatou na quinta-feira (6) o portal EurekAlert citando uma pesquisa.

    Sabendo que esses predadores são sensíveis aos campos eletromagnéticos, os cientistas capturaram na natureza 20 tubarões-de-pala juvenis (Sphyrna tiburo) e os colocaram individualmente em uma piscina circular, onde simularam sinais magnéticos.

    "Tinha ficado por resolver como os tubarões conseguem navegar com sucesso durante a migração para locais específicos", explicou o oceanógrafo Bryan Keller, da Universidade Estadual de Flórida, EUA, sobre o estudo publicado na revista Current Biology.

    No estudo, os campos magnéticos foram manipulados de forma a os "sintonizar" na direção norte ou sul. Se a localização e a direção do campo magnético divergiam, quando os sinais correspondiam aos campos eletromagnéticos do sul, os tubarões costumavam querer nadar para norte, e para sul quando eram expostos aos campos eletromagnéticos do norte.

    Já quando o campo magnético correspondia ao local em que estavam, os tubarões aparentavam pensar que esse era o sítio onde deviam estar.

    Os autores do estudo citaram o exemplo de um tubarão-branco que migrou entre a África do Sul e a Austrália, e retornou ao local.

    "É fantástico um tubarão poder nadar 20.000 quilômetros de ida e volta em um oceano tridimensional e voltar para o mesmo local", diz Keller. "É realmente inacreditável. Em um mundo onde as pessoas usam GPS para navegar em quase todos os lugares, esta habilidade é realmente notável".

    "Esta pesquisa apoia a teoria de que eles usam o campo magnético da Terra para ajudá-los a encontrar seu caminho; é o GPS da natureza", resumiu Keller.

    O cientista também expressou a vontade de explorar os efeitos de "fontes antropogênicas, tais como cabos submarinos", nestes animais e os efeitos dos sinais magnéticos em seu comportamento diário e não só durante as migrações.

    "Para ser honesto, estou surpreso que [o estudo] tenha funcionado. A razão pela qual esta questão tem resistido durante 50 anos é porque os tubarões são difíceis de estudar."

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    Tags:
    Austrália, África do Sul, Flórida, EUA
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