05:18 19 Outubro 2021
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    Há muito que a lenda do Kraken tem cativado a imaginação da humanidade, com histórias de uma lula gigante arrastando navios inteiros para o fundo do oceano.

    A origem dos contos deste monstro marinho pode ser traçada até a mitologia da Grécia Antiga, mas agora, com ajuda de tecnologia moderna, foi possível entender em que animal os navegadores teriam se baseado para criar a famosa lenda, reporta o Phys.org.

    A lula gigante Architeuthis dux é um animal bastante difícil de flagrar e estudar em seu ambiente natural, tendo sido por muitos anos um enorme desafio tanto para cientistas e exploradores, como para cineastas.

    Até hoje, só teve uma pessoa que conseguiu capturar em vídeo esta lula: a doutora Edith Widder, da Associação de Pesquisa e Conservação do Oceano. Com colegas, Widder revelou os segredos do sucesso de seu feito. O seu estudo, publicado no Science Direct, inclui vídeos fascinantes desta criatura marinha.

    Architeuthis dux é o maior ser invertebrado no planeta, podendo atingir um comprimento de mais de 14 metros. Apesar do seu tamanho, esta lula é difícil de ser encontrada por viver em zonas a mais de 400 metros de profundidade. Outro fato curioso é que este ser possui os maiores olhos do reino animal, chegando até os 30 centímetros de diâmetro, como resultado de sua adaptação à vida nas profundezas, explica a mídia.

    Isto poderia explicar o porquê de não ser detectada com facilidade – a ótima visão permite que a lula gigante note de longe navios e submarinos, escondendo-se rapidamente de todo mundo.

    Imagens de vídeo mostrando lula gigante se aproximando de presa falsa E-Jelly
    Imagens de vídeo mostrando lula gigante se aproximando de presa falsa E-Jelly

    Contudo, aproximar-se da lula sem ser percebido não é suficiente, pois deve-se também atraí-la. Para isso, Widder utilizou uma água-viva falsa chamada E-Jelly, que é capaz de imitar a bioluminescência criada por alguns animais residentes em águas profundas.

    Confundindo-a com uma presa, a Architeuthis dux eventualmente se aproximaria para que pudesse ser devidamente fotografada.

    Com a utilização de iluminadores vermelhos e da E-Jelly, a equipe de cientistas teve sucesso em capturar imagens deste animal magnífico e misterioso, tanto em águas dos EUA como do Japão.

    A eficácia desta tecnologia pioneira para filmar lulas de maiores dimensões, vindas do fundo do mar, tem o potencial de continuar gerando imagens de maior qualidade das espécies misteriosas e pouco conhecidas. No entanto, e talvez mais importante, também poderá fornecer novas perspectivas científicas sobre o comportamento destes animais e que desafios enfrentam.

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    Tags:
    lula, oceano, vida selvagem, ciência, tecnologia
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