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    Todo o Sistema Solar está à deriva em um aglomerado de nuvens, uma área limpa por antigas explosões de supernovas. Os astrônomos chamam essa região de Bolha Local.

    Uma nova missão da agência espacial norte-americana NASA vai estudar a luz de partículas interestelares que entraram em nosso Sistema Solar para aprender sobre os pontos mais próximos do espaço interestelar. A missão, chamada SHIELDS (Escudos), terá sua primeira oportunidade de lançamento a bordo de um foguete suborbital a partir de Novo México, EUA, em 19 de abril de 2021.

    SHIELDS pra cima! Um foguete da NASA será lançado na próxima semana para estudar a heliopausa, a borda da bolha magnética do nosso Sistema Solar. Este limite nos protege da maioria das partículas interestelares, mas aquelas que escapam contêm pistas sobre o espaço interestelar

    SHIELDS é um telescópio que será lançado a bordo de um foguete e medirá a luz de uma população especial de átomos de hidrogênio originalmente do espaço interestelar.

    "Há muita incerteza sobre a estrutura fina do meio interestelar, nossos mapas são meio toscos […]. Conhecemos os contornos gerais dessas nuvens, mas não sabemos o que está acontecendo dentro delas", afirma em comunicado Walt Harris, físico espacial responsável pela missão SHILEDS.

    Bolha Local

    Todo o nosso Sistema Solar está à deriva em um aglomerado de nuvens, uma área limpa por antigas explosões de supernovas. Os astrônomos chamam essa região de Bolha Local, que teria pelo menos 300 anos-luz de diâmetro e contém centenas de estrelas, incluindo nosso próprio Sol.

    Poucos minutos após o lançamento, o SHIELDS atingirá sua altitude máxima de cerca de 300 quilômetros do solo, muito acima do efeito de absorção da atmosfera da Terra. Apontando para o nariz da heliosfera, a região periférica do Sol, o telescópio vai detectar a chegada da luz de átomos de hidrogênio.

    Medir como o comprimento de onda da luz se estende ou se contrai vai revelar a velocidade das partículas. Dessa forma, o SHIELDS produzirá um mapa para reconstruir a forma e a densidade variável da matéria na heliopausa, a fronteira mais externa do nosso Sistema Solar.

    Representação das sondas Voyager 1 (em cima), Voyager 2, o Sol, a heliosfera e a heliopausa, agosto de 2017
    © Foto / NASA/JPL-Caltech
    Representação das sondas Voyager 1 (em cima), Voyager 2, o Sol, a heliosfera e a heliopausa, agosto de 2017

    Os dados, espera Harris, ajudarão a responder a perguntas tentadoras sobre como é o espaço interestelar e o campo magnético da galáxia. Finalmente, aprender como é nosso papel no espaço interestelar pode ser um guia útil para o futuro, afirma a NASA. Nosso Sistema Solar está apenas passando pelo nosso atual pedaço de espaço. Em cerca de 50.000 anos, estaremos saindo da Bolha Local e indo em direção ao desconhecido

    "Não sabemos realmente como é essa outra nuvem e não sabemos o que acontece quando você cruza uma fronteira para dentro dessa nuvem […]. Há muito interesse em entender o que provavelmente iremos experimentar enquanto nosso Sistema Solar faz essa transição", comenta Harris.

    Essa transição, todavia, não é novidade para o nosso Sistema Solar. Nos últimos quatro bilhões de anos, explica Harris, a Terra passou por uma variedade de ambientes interestelares. Acontece que agora estamos por perto, com as ferramentas científicas para documentar a transição.

    "Estamos apenas tentando entender nosso lugar na galáxia e para onde vamos no futuro", conclui o físico espacial.

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    Tags:
    Universo, Sol, supernova, Sistema Solar, telescópio, NASA
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