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    Situação da COVID-19 em meados de abril no mundo (75)
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    O mecanismo de inteligência artificial se baseia no número de chamadas telefônicas realizadas para alertar sobre sintomas da COVID-19 e permite a aplicação de medidas sanitárias sem ter de esperar pelos resultados dos exames.

    O cientista argentino Ezequiel Álvarez desenhou um sistema de análise de dados que serve para prevenir futuros surtos de COVID-19 e antecipar picos de infecções, gerando a possibilidade de que as autoridades apliquem medidas sanitárias antes que seja tarde, sem a necessidade de aguardar os resultados dos testes para a doença. O algoritmo de Álvarez já é utilizado em várias jurisdições da província de Buenos Aires, o território mais populoso da Argentina, com pelo menos 17 milhões de habitantes.

    "É um método, uma forma de fazer conta […]. Não é uma previsão, é uma estimativa inicial. A COVID-19 não pode ser prevista, ninguém poderia prever como uma curva progride, porque depende de como as pessoas agem", explica o cientista, que é membro do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET) da Argentina, à Russia Today nesta segunda-feira (19).

    Álvarez explica que o mecanismo de inteligência artificial funciona registrando a quantidade de ligações telefônicas de cidadãos que alertam para o aparecimento de sintomas da COVID-19, considerando a densidade populacional. Para fazer uma resposta automática, a ferramenta Álvarez acumula informações de semanas anteriores, em termos de infecções pelo novo coronavírus confirmadas em relação às ligações feitas.

    O presidente da Argentina, Alberto Fernández, durante pronunciamento.
    © AFP 2021 / Esteban Collazo/Presidência da Argentina
    O presidente da Argentina, Alberto Fernández, durante pronunciamento.

    Alerta sobre 2ª onda

    Denominado Early Outbreak Alert 148 (Alerta de Surto Precoce 148), em alusão ao número de telefone fornecido pelas autoridades locais, o algoritmo não determina quais pessoas específicas têm COVID-19, pois isso requer confirmação confiável por meio de um teste para o novo coronavírus. No entanto, serve para desenvolver políticas territoriais em áreas específicas, como aumentar as restrições à circulação ou eliminar a atividade comercial e, assim, diminuir a circulação do SARS-CoV-2.

    O sistema alertou para a segunda onda de COVID-19 na Argentina várias semanas antes de uma ação política ser tomada. Os municípios e o governo da província de Buenos Aires observaram atentamente o algoritmo e conseguiram antecipar muitos surtos antes que as infecções aparecessem nos relatórios oficiais, afirma o cientista.

    Dessa forma, quando o governo de Alberto Fernández, presidente da Argentina, confirmou a chegada da segunda onda, em 6 de abril, a província de Buenos Aires há várias semanas já se preparava.

    "Nos dias 12 e 13 de março já estávamos discutindo com o Ministro da Saúde provincial e algumas providências foram tomadas. No dia 15 [de março], já era muito claro que estava chegando um tsunami. Nosso indicador estava crescendo muito", comenta Álvarez.

    No entanto, em meio a negociações políticas e o agravamento da crise econômica, a administração Fernández demorou quase um mês para apertar as restrições na área.

    Covas abertas para as vítimas da COVID-19 no cemitério de Chacarita, em Buenos Aires, na Argentina.
    © AP Photo / Gustavo Garello
    Covas abertas para as vítimas da COVID-19 no cemitério de Chacarita, em Buenos Aires, na Argentina.

    Algoritmo para exportação

    O Early Outbreak Alert 148 "é super sensível", garante o cientista argentino, que afirma que não vê apenas "se as infecções aumentam ou diminuem, vemos também [...] se elas crescem mais ou menos lentamente". Dessa forma, se os casos aumentam, mas começam a aumentar mais lentamente, "há algo que está funcionando bem".

    O algoritmo chamou a atenção de outros países e, por meio de um possível financiamento do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF, na sigla em espanhol), surgiu a possibilidade de replicar a ideia em outros países da região, através do programa Cidades Inteligentes. Todavia, resta saber como o projeto avança enquanto a entidade passa por uma mudança de autoridades.

    "Eu faço ciência superbásica, coisas que não têm nenhuma aplicação à primeira vista para as pessoas, apenas para conhecimento, para entender o Universo [...]. A ciência está na parte mais baixa da pirâmide social porque em princípio não tem visibilidade imediata, como um engenheiro que faz pontes ou um físico que projeta microchips. Mas, sempre há uma contribuição da comunidade científica para a sociedade", afirma Fernández.

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    Tags:
    algoritmos, Argentina, província de Buenos Aires, Buenos Aires, pandemia, surto, novo coronavírus, COVID-19
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