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    Retorno à vida "normal" pós-pandemia pode ter ajuda de cães treinados. Um estudo norte-americano avaliou que os focinhos caninos podem farejar amostras positivas para COVID-19 com alta precisão.

    Novo estudo sugere que cachorros podem ajudar no retorno ao "normal" pós-pandemia com base na capacidade de farejar amostras positivas para COVID-19. A investigação de prova de conceito publicada nesta quarta-feira (14) na revista Plos One sugere que cães de detecção especialmente treinados conseguem confirmar o coronavírus com 96% de precisão. 

    "Os cães devem ser específicos sobre a detecção do odor da infecção, mas também devem generalizar os odores de fundo de diferentes pessoas: homens e mulheres, adultos e crianças, pessoas de diferentes etnias e geografias", disse Cynthia Otto, autora sênior do trabalho e diretora do Centro de Trabalho para Cães da Escola de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, ao site Phys.org.

    ​A Escola de Medicina Veterinária de Penn está testando a capacidade de um cão de farejar se uma pessoa tem COVID-19 ou não.

    Nesse estudo inicial, os pesquisadores descobriram que os cães podiam detectar o coronavírus e que novos métodos mais precisos de treinamento podem ser aplicados no futuro. Os resultados estão alimentando outra investigação que a equipe de Otto apelidou de "o estudo da camiseta", em que cães são treinados para discriminar entre os odores de indivíduos com resultado positivo ou negativo para COVID-19, e vacinados com base nos compostos orgânicos voláteis que deixamos na camiseta usada durante a noite.

    "Estamos coletando muito mais amostras nesse estudo - centenas ou mais - do que neste primeiro, e temos esperança de que isso deixará os cães mais próximos do que eles podem encontrar em um ambiente comunitário", detalha a pesquisadora.

    Passo a passo do estudo

    Por meio do Centro de Cães de Operações, ela e seus colegas têm anos de experiência no treinamento de cães de detecção médica, incluindo aqueles que podem identificar câncer de ovário. Os colaboradores Ian Frank, da Escola de Medicina Perelman, e Audrey Odom John, do Hospital Infantil da Filadélfia, forneceram amostras positivas para SARS-CoV-2 de pacientes adultos e pediátricos, bem como amostras de pacientes com resultado negativo para servir como controles experimentais.

    ​Estágio para Alunos de Veterinária em Detecção de Câncer de Ovário - Prazo para inscrição 12 de março de 2021.

    Otto trabalhou em estreita colaboração com a especialista em coronavírus Susan Weiss, da Escola de Medicina Veterinária de Penn, a fim de processar algumas das amostras no laboratório de Biossegurança Nível 2+ da Penn para inativar o vírus por calor ou inativação por detergente, de forma que fossem seguras para os cães farejarem. Os pesquisadores também fizeram parceria com Pat Nolan, um treinador de Maryland, próximo da capital Washington.

    Oito labradores e um pastor-belga-malinois que não haviam feito trabalho de detecção médica antes foram usados no estudo. Primeiro, os pesquisadores os treinaram para reconhecer um cheiro característico, uma substância sintética conhecida como composto de detecção universal (UDC, na sigla em inglês). Eles usaram uma "roda de cheiro" em que cada uma das 12 portas é carregada com uma amostra diferente e recompensavam o cão quando ele respondia à porta contendo UDC.

    Quando os cães responderam consistentemente ao cheiro do UDC, a equipe começou a treiná-los para responder às amostras de urina de pacientes com resultado positivo para SARS-CoV-2 e discernir as amostras positivas das negativas.

    Cachorro do Dia: Helen. Nós absolutamente amamos trabalhar com Helen. Ela tem muita energia e está ansiosa para agradar. Ela está indo bem em nosso programa de pesquisa e estamos ansiosos para continuar trabalhando com ela.

    Resultado expressivo

    Processando os resultados com a ajuda do criminologista e estatístico Richard Berk, a equipe descobriu que, após três semanas de treinamento, todos os nove cães foram capazes de identificar prontamente as amostras positivas para SARS-CoV-2, com precisão de 96% em média.

    As principais lições aprendidas com o estudo, além de confirmar que há um odor de SARS-CoV-2 que os cães podem detectar, foram que o treinamento futuro deve envolver um grande número de amostras diversas e que os cães não devem ser treinados repetidamente nas amostras de um único indivíduo.

    "Isso é algo que podemos levar adiante não apenas em nosso treinamento para COVID-19, mas em nosso trabalho com câncer e quaisquer outros esforços de detecção médica que fizermos", disse Otto. "Queremos ter certeza de que temos todas as etapas para garantir qualidade, reprodutibilidade, validade e segurança para quando operacionalizarmos nossos cães e começarmos a triagem em ambientes comunitários."

    Um estudo alemão também revelou em fevereiro um treinamento similar com cães, mas com taxa de sucesso um pouco menor. 

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    Tags:
    pandemia, EUA, cães farejadores, treinamento, cão, cachorro
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