09:45 05 Agosto 2021
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    Cientistas sequenciaram o genoma mais antigo do homem moderno fora da África. O material foi obtido de um crânio de 45 mil anos encontrado em Zlaty Kun, na República Tcheca.

    Sabe-se que os primeiros Homo sapiens, após deixarem a África há 50 mil anos, se cruzaram com os neandertais na área do Oriente Médio. Por isso, todos os humanos modernos, exceto os africanos, têm de 2 a 3% de DNA dos neandertais em seu genoma. Com o tempo, estes segmentos do genoma se tornam mais curtos. Os cientistas usam seu comprimento para avaliar a idade dos achados antropológicos.

    O crânio de Zlaty Kun foi descoberto nos anos 1950 e agora está no Museu Nacional em Praga. O estudo antropológico, baseado na forma do crânio, mostrou sua semelhança com os humanos que viveram na Europa até o último período glacial, há cerca de 30 mil anos. O estudo foi publicado na revista Nature Ecology & Evolution. No entanto, a datação por radiocarbono deu uma idade mais jovem.

    A análise do crânio de Zlaty Kun pelos cientistas do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, da Alemanha, mostrou que o seu genoma contém aproximadamente a mesma quantidade de DNA neandertal que em outros humanos modernos.

    No entanto, os segmentos dos genes neandertais nele contidos são muito mais longos que em todos os outros, incluindo o homem de Ust-Ishima, que viveu 45 mil anos atrás na Sibéria e até recentemente era considerado o mais antigo representante dos humanos modernos fora da África.

    Os dados arqueológicos sugerem que os humanos modernos já estavam presentes no Sudeste da Europa há 47-43 mil anos, mas, devido à falta de material de qualidade, ainda não foi possível extrair o DNA dos restos desta época.

    Crânio de Zlaty Kun de cerca de 45 mil anos, na República Tcheca (imagem ilustrativa)
    Crânio de Zlaty Kun de cerca de 45 mil anos, na República Tcheca (imagem ilustrativa)

    O crânio de Zlaty Kun permitiu aos cientistas sequenciar o genoma mais antigo do homem moderno fora da África. Os restos pertencem a uma população que se formou antes de os ancestrais dos europeus e asiáticos modernos se terem separado, e sobre a qual se sabe muito pouco.

    "Os resultados de nossa análise de DNA mostram que o homem de Zlata Kun está mais próximo do tempo em que ocorreu o cruzamento com neandertais", disse um dos autores de pesquisa Kay Prufer.

    Os pesquisadores estimam que o humano de Zlaty Kun viveu dois mil anos após o cruzamento.

    "[…] O humano de Zlaty Kun não mostra continuidade genética com os humanos modernos que viveram na Europa mais tarde, a partir de 40 mil anos atrás", afirmou o chefe do estudo Johannes Krause.

    Como possível explicação para o hiato nas duas ondas de colonização da Europa pelo Homo sapiens, os autores citam uma erupção vulcânica que ocorreu há 40-39 mil anos, que influenciou fortemente o clima do Hemisfério Norte e pode ter reduzido as chances de sobrevivência dos neandertais e dos primeiros humanos modernos em grande parte da Europa da Idade do Gelo.

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    Tags:
    homo sapiens, crânio, Europa, homem, África
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