20:22 12 Abril 2021
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    Cientistas desvendam através do DNA um dos mistérios suecos que envolvem um nobre bispo do século XVII enterrado na Catedral de Lund. Um feto escondido no caixão do religioso pode ter sido de seu neto e último homem da linhagem Winstrup.

    Pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, podem ter revelado agora um antigo mistério por trás de um feto que jazia escondido no túmulo de um bispo morto em 1679 e enterrado na Catedral de Lund. Através de exames de DNA do bispo e do feto, junto com testes de parentesco, foi descoberto que a criança era provavelmente neta do próprio religioso.

    O bispo Peder Winstrup é um dos corpos humanos mais bem preservados do século XVII. Com ajuda de raio-X, os pesquisadores perceberam algo com ossos pequenos se projetando entre as duas panturrilhas de Winstrup. Osteólogos da Universidade de Lund perceberam que poderia ser um feto humano.

    Dentro do caixão, os pesquisadores encontram um embrulho em tecido de linho. Através do comprimento do fêmur, os cientistas concluíram que o feto tinha de 5 a 6 meses e era natimorto. A descoberta levantou suspeitas do porquê o corpo de um recém-nascido morto estava no caixão de um bispo.

    Detalhes da embalagem de linho contendo os restos mortais do feto. O pacote havia sido espremido sob o colchão no caixão do bispo Peder Winstrup
    Detalhes da embalagem de linho contendo os restos mortais do feto. O pacote havia sido espremido sob o colchão no caixão do bispo Peder Winstrup
    "Não era incomum crianças pequenas serem colocadas em caixões com adultos. O feto pode ter sido colocado no caixão após o funeral, quando estava em uma tumba abobadada na Catedral de Lund e, portanto, acessível", diz Torbjorn Ahlstrom, professor de osteologia histórica da Universidade de Lund e um dos principais pesquisadores por trás do estudo.

    O livro funerário da Catedral de Lund confirma que os caixões das crianças foram colocados no local sem que fossem parentes da família. "Colocar um caixão em um cofre é uma coisa, mas colocar o feto no caixão do bispo é outra bem diferente. Isso nos fez pensar se havia alguma relação entre a criança e o bispo", diz Ahlstrom.

    Bispo Peder Winstrup falecido em 1679 em seu túmulo
    Bispo Peder Winstrup falecido em 1679 em seu túmulo

    A partir daí, pesquisadores da Universidade de Estocolmo analisaram amostras de Peder Winstrup e do feto. Os resultados mostram que se tratava de um menino, e que possuíam parentesco de segundo grau, ou seja, compartilhavam cerca de 25% dos mesmos genes. Como eles tinham linhagens mitocondriais diferentes (que determina a linhagem feminina), mas havia uma correspondência do cromossomo Y, a relação foi determinada para o lado do pai.

    "A arqueogenética pode contribuir para a compreensão das relações de parentesco entre indivíduos enterrados e, neste caso, mais especificamente entre Winstrup e o feto", diz Maja Krzewinska, do Centro de Paleogenética da Universidade de Estocolmo, envolvida na análise.

    Como no caso dos relacionamentos de segundo grau, as seguintes são possíveis: tios, sobrinhos, avós, netos, meios-irmãos e primos duplos. Os cientistas passaram a investigar qual seria a relação mais provável no cenário da família Winstrup e conseguiram descartar uma série de relações possíveis, no entanto, uma permaneceu sendo uma possibilidade distinta.

    "É possível que o menino natimorto fosse filho de Peder Pedersen Winstrup e, portanto, o bispo fosse seu avô", diz Maja Krzewinska.

    Historicamente sabe-se que Peder Pedersen Winstrup não teria seguido os passos de seu pai e avô nos estudos da teologia, em vez disso, ele teria se interessado pela arte da fortificação e perdido a propriedade de seu pai na Grande Redução em 1680. Com a morte de Peder Pedersen Winstrup, a linhagem masculina chegou ao fim para a nobre família. Colocar o feto natimorto no caixão do bispo pode ter sido um ato fortemente simbólico, concluem os estudiosos do caso.

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    Tags:
    feto, neto, Igreja Católica, bispos, DNA
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