00:43 17 Abril 2021
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    Diferentes estudos têm apontado ctenóforos e esponjas como sendo possíveis ancestrais de todos os outros animais, mas um estudo crê que a opção de ctenóforos deixa escapar um fator importante.

    As esponjas são provavelmente os primeiros organismos vivos que surgiram na Terra, concluiu um estudo publicado na revista Nature Communications.

    Desde o século XIX que muitos cientistas têm apontado a esponja, uma das criaturas mais simples existentes, como o primeiro animal que apareceu no planeta. Apesar de essa teoria continuar sendo desenvolvida nos dias de hoje, alguns estudos modernos têm levado a crer que os ctenóforos, animais marinhos, foram os primeiros a aparecer devido a possuírem um maior sinal filogenético.

    A ideia pode ser complicada pelo fato de ser um animal mais complexo, com neurônios, células musculares para detectar e comer presas, bem como um intestino para digestão, o que tornaria obrigatório que o filo dos poríferos, entre os quais se incluem as esponjas, perdessem essas características mais tarde, antes de as voltar a adquirir.

    "Pode parecer muito improvável que tais características complexas possam evoluir duas vezes, independentemente, mas a evolução nem sempre segue um caminho simples", explica Anthony Redmond, geneticista do Colégio da Trindade de Dublin, na República da Irlanda.

    "Por exemplo, aves e morcegos estão distantemente relacionados, mas têm asas evoluídas independentemente para voar."

    Modelos científicos

    O modelo que afirma que as esponjas foram os primeiros seres vivos a aparecerem, por sua vez, usa uma supermatriz para chegar à conclusão oposta. Cientistas do Colégio da Trindade de Dublin usaram um modelo mais integrador.

    Os modelos particionados habituais não costumam levar em conta a substituição sutil de aminoácidos por outros com propriedades bioquímicas semelhantes durante o processo de seleção natural, razão pela qual muitos estudos apontam para os ctenóforos como ancestrais de todos os animais.

    Assim, os modelos "mal adaptados" e "excessivamente simplistas" teriam suprimido algumas mudanças evolutivas dos ctenóforos, pelo que o mais provável é que eles provavelmente se separaram dos poríferos muito cedo, e depois evoluíram incrivelmente rápido.

    "Nossa abordagem faz a ponte entre duas metodologias discordantes, e fornece fortes evidências de que as esponjas, e não os ctenóforos, são nossos parentes mais distantes dos animais", diz Redmond.

    "Isto significa que nosso último ancestral animal comum foi morfologicamente simples, e sugere que a evolução repetida e/ou perda de características complexas como um sistema nervoso é menos provável do que se os ctenóforos fossem nossos parentes mais distantes dos animais", conclui.

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    Tags:
    Irlanda, República da Irlanda, Dublin, Terra
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