06:45 18 Setembro 2021
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    Pesquisadores dos EUA e Japão, em parceria com equipe do telescópio ALMA, no Chile, identificaram a composição química de estrelas jovens que pode ser o caminho para entender a formação de planetas.

    Um grupo de pesquisa internacional liderado por um pós-doutorado do Departamento de Astronomia da Universidade da Virgínia, nos EUA, em parceria com o Laboratório de Formação de Estrelas e Planetas do Agrupamento RIKEN para Pesquisa Pioneira, do Japão, identificou uma rica química orgânica em discos jovens em torno de 50 estrelas recém-formadas.

    Baseando-se nas observações do telescópio ALMA que fica no Atacama, no Chile, as descobertas forneceram aos astrônomos uma maior compreensão dos mecanismos responsáveis pela formação de moléculas orgânicas no espaço. Identificar a composição química inicial desses discos em formação pode oferecer pistas sobre as origens de planetas como a Terra.

    Maior radiotelescópio do mundo – observatório espacial do ALMA (Atacama Large Millimeter Array), Chile
    © Foto / ESO/ S. Otarola
    Maior radiotelescópio do mundo – observatório espacial do ALMA (Atacama Large Millimeter Array), Chile

    A partir da variedade de moléculas orgânicas identificadas, os astrônomos querem descobrir o quão comum é a herança química desses discos. Como os discos ao redor de estrelas jovens são conhecidos por ser os locais da futura formação de planetas, é fundamental compreender seu potencial pré-biótico. As descobertas do estudo foram publicadas pela American Astronomical Society no Astrophysical Journal.

    "Esta pesquisa vai nos ajudar a testar nosso conhecimento atual sobre a evolução química em curso nos discos de estrelas recém-formadas", disse Yao-Lun Yang, principal autor do artigo.

    No estudo, os cientistas identificaram uma gama de moléculas complexas na composição química do material de onde esses discos e planetas protoplanetários crescem.

    "Mesmo onde observamos uma ampla gama de quantidades totais de moléculas orgânicas específicas, ainda encontramos um padrão químico semelhante entre as diferentes regiões que estudamos", completou Yang.

    Estudo da nuvem molecular Perseus

    As estrelas se formam a partir de nuvens interestelares, que consistem em gás e poeira, por meio da contração gravitacional. Essas estrelas jovens são rodeadas por discos, que têm o potencial de evoluir para sistemas planetários.

    A pesquisa baseada em RIKEN se concentrou em 50 fontes embutidas na nuvem molecular Perseus, que contém jovens protoestrelas com discos protoplanetários se formando ao redor delas.

    Mesmo com a potência do telescópio ALMA, demorou mais de três anos, ao longo de vários projetos, para concluir o levantamento. De acordo com a pesquisa, 58% das fontes continham grandes moléculas orgânicas, enquanto 42% das fontes não exibiam nenhum sinal delas.

    A quantidade total de qualquer molécula medida mostrou uma variedade superior a 100, mesmo para estrelas semelhantes. Sendo algumas fontes mais ricas em moléculas orgânicas do que outras.

    O fato de alguns sistemas terem substancialmente mais ou menos conteúdo orgânico total sugere que a história evolutiva do ambiente local pode ter um impacto crítico na composição molecular dos sistemas planetários resultantes. Embora os padrões químicos entre os sistemas pareçam ser relativamente semelhantes, alguns discos podem "ter sorte" com mais riqueza orgânica em comparação com outros.

    Segundo Yang, há esperanças dessas perguntas serem respondidas no futuro por meio de esforços para acompanhar o reservatório orgânico ao longo do tempo, expandindo as pesquisas para sistemas ainda mais jovens ou muito mais antigos.

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    Tags:
    estrelas, formação, planetas, Chile, radiotelescópio, Japão, EUA
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