21:33 22 Abril 2021
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    De acordo com uma pesquisa de cientistas de Israel e Portugal, os humanos se ocuparam exclusivamente da caça, começando há dois milhões de anos até 85.000 anos atrás.

    Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Tel Aviv em colaboração com a Universidade do Minho em Portugal, que estudaram a nutrição humana da Idade da Pedra, nossos ancestrais distantes foram "superpredadores" hipercarnívoros que consumiam principalmente carne de grandes animais durante cerca de dois milhões de anos.

    Ao contrário da maioria das pesquisas anteriores sobre dietas humanas antigas, que se concentraram principalmente em culturas de caçadores-coletores em séculos recentes, o novo estudo, publicado na revista American Journal of Physical Anthropology, é largamente baseado "na memória preservada em nossos próprios corpos, nosso metabolismo, genética e constituição física".

    "O comportamento humano muda rapidamente, mas a evolução é lenta. O corpo se lembra", comentou no domingo (4) Miki Ben-Dor, do Departamento de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv e um dos autores do estudo, relata o jornal The Times of Israel.

    "Propomos um quadro que é sem precedentes em sua inclusividade e abrangência, o que mostra claramente que os humanos eram inicialmente superpredadores, que se especializaram na caça de grandes animais", afirma.

    Humano caçando com arco (imagem referencial)
    Humano caçando com arco (imagem referencial)

    Segundo o estudo, ao contrário da chamada dieta paleolítica, que se imaginava ser omnívora, os habitantes das cavernas apenas consumiam carne.

    Os pesquisadores observaram nossa acidez estomacal, que é alta mesmo para predadores, implicando uma dieta de carne na qual o ácido nos protegerá de bactérias nocivas.

    "Produzir e manter uma acidez forte requer grandes quantidades de energia, e sua existência é uma evidência de consumo de produtos animais", observou Ben-Dor.

    "A forte acidez proporciona proteção contra bactérias nocivas que se encontram na carne, e os humanos pré-históricos, que caçavam grandes animais cuja carne era suficiente para dias ou mesmo semanas, muitas vezes consumiam carne velha que continha grandes quantidades de bactérias e, portanto, necessitavam manter um alto nível de acidez."

    Além disso, os pesquisadores descobriram que, tal como nos predadores, a gordura humana está contida em um grande número de pequenas células de gordura, enquanto a gordura dos omnívoros é armazenada da maneira oposta.

    Adaptação do corpo humano

    O genoma humano também foi citado entre as evidências.

    "Por exemplo, os geneticistas concluíram que 'áreas do genoma humano foram fechadas para permitir uma dieta rica em gordura, enquanto nos chimpanzés áreas do genoma foram abertas para permitir uma dieta rica em açúcar'", disse Ben-Dor.

    "O mais provável, tal como nos predadores atuais, a própria caça era uma atividade humana focal durante a maior parte da evolução humana", explicou Miki Ben-Dor.

    Após encontrarem "ferramentas especializadas para obtenção e processamento de alimentos vegetais" só "nos últimos estágios da evolução humana", pesquisadores concluem que os humanos só começaram a comer uma dieta mais vegetal há cerca de 85.000 anos, provavelmente como resultado de uma diminuição de animais maiores como fonte de alimento, já que a maioria deles estavam extintos naquela época, um processo para o qual, de acordo com alguns cientistas, os humanos contribuíram.

    "Como descobriu Darwin, a adaptação das espécies à obtenção e digestão de seus alimentos é a principal fonte de mudanças evolutivas e, portanto, a afirmação de que os seres humanos foram superpredadores durante a maior parte de seu desenvolvimento pode fornecer uma base ampla para perspectivas fundamentais sobre a evolução biológica e cultural dos seres humanos", concluiu o cientista.

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    Tags:
    Universidade de Tel Aviv, Portugal, Israel, The Times of Israel
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