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    Coronavírus no mundo no início de abril de 2021 (58)
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    Novos estudos confirmam que a luz do Sol pode inativar o vírus, mas reforçam que o meio mais seguro de evitá-lo em países onde ainda está se espalhando, é o distanciamento social e uso de máscaras onde não seja possível distância.

    Uma equipe de cientistas está incentivando mais pesquisas sobre como a luz solar inativaria o SARS-CoV-2 depois de perceber que há uma discrepância gritante entre a teoria mais recente e os novos resultados experimentais.

    O engenheiro mecânico da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, Paolo Luzzatto-Fegiz, e seus colegas, notaram que o vírus foi inativado até oito vezes mais rápido em experimentos atuais do que o modelo teórico mais recente previa. As análises foram publicadas no The Journal of Infectious Diseases.

    "A teoria assume que a inativação funciona fazendo com que o UVB [raios ultravioleta tipo B] atinja o RNA do vírus, danificando-o", explica Luzzatto-Fegiz.

    A discrepância sugere que há algo mais acontecendo e os cientistas estão intrigados em descobrir o que é, pois pode ser útil para gerenciar o vírus. A luz ultravioleta, ou a parte ultravioleta do espectro, é facilmente absorvida por certas bases de ácido nucléico no DNA e no RNA, o que pode fazer com que se liguem de maneiras difíceis de consertar.

    Nem toda luz ultravioleta é igual, sendo as UV mais longas, chamadas de UVA, incapazes de causar problemas. São as ondas UVB de médio alcance na luz do Sol as principais responsáveis por matar micróbios e colocar nossas próprias células em risco de danos causados pelo Sol.

    A radiação UVC, de ondas curtas, demonstrou ser eficaz contra vírus como o SARS-CoV-2. Mas esse tipo de ultravioleta normalmente não entra em contato com a superfície da Terra, graças à camada de ozônio.

    "UVC é ótimo para hospitais", disse a coautora e toxicologista da Universidade Estadual de Oregon, EUA, Julie McMurry. "Mas em outros ambientes, por exemplo, cozinhas ou metrôs, o UVC interagiria com as partículas para produzir ozônio prejudicial", alertou.

    Em julho de 2020, um estudo experimental testou os efeitos da luz ultravioleta no SARS-CoV-2 em uma simulação com saliva e detectou que o vírus foi inativado quando exposto à luz solar simulada no período entre dez a 20 minutos. Tal estudo concluiu que "a luz solar natural pode ser eficaz como desinfetante para materiais não porosos contaminados".

    Poder do Sol contra o vírus

    Já Luzzatto-Feigiz e sua equipe compararam esses resultados com uma teoria sobre como a luz do Sol conseguiu isso e viram que a matemática não batia. Identificaram então que o vírus SARS-CoV-2 era três vezes mais sensível aos raios ultravioletas da luz solar do que a influenza A, com 90% das partículas do coronavírus sendo inativadas após apenas meia hora de exposição à luz solar do meio-dia no verão. Enquanto que, no inverno, as partículas infecciosas leves podiam permanecer intactas por dias.

    Cálculos ambientais feitos por uma equipe separada de pesquisadores concluíram que as moléculas de RNA do vírus estão sendo fotoquimicamente danificadas diretamente pelos raios de luz. Isso é alcançado de forma mais poderosa por comprimentos de onda de luz mais curtos, como UVC e UVB.

    "A inativação experimentalmente observada na saliva simulada é oito vezes mais rápida do que seria de se esperar pela teoria", escreveram Luzzatto-Feigiz e colegas.

    Os pesquisadores suspeitam que é possível que, em vez de afetar o RNA diretamente, o UVA de onda longa pode estar interagindo com as moléculas de uma forma que aceleraria a inativação do vírus. Mas ainda são necessários experimentos adicionais para testar separadamente os efeitos de comprimentos de onda de luz específicos, segundo os cientistas.

    Para eles, se o UVA puder ser usado para combater o SARS-CoV-2, fontes de luz específicas para comprimentos de onda baratas e eficientes em termos de energia podem ser úteis para aumentar os sistemas de filtragem de ar, assim diminuindo o risco para a saúde humana.

    Luzes ultravioletas iluminam vagão do metrô durante desinfecção, em Moscou, Rússia, 22 de outubro de 2020
    © AP Photo / Pavel Golovkin
    Luzes ultravioletas iluminam vagão do metrô durante desinfecção, em Moscou, Rússia, 22 de outubro de 2020

    O estudo conclui que com a capacidade do coronavírus de permanecer suspenso no ar por longos períodos de tempo, o meio mais seguro de evitá-lo, principalmente em países onde ainda está se espalhando, é o distanciamento social e o uso de máscaras onde o distanciamento não é possível. Mas saber que a luz do Sol pode ajudar na inativação do vírus foi considerado ponto positivo para os estudiosos.

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    máscara, distanciamento, raios, Sol, matar, COVID-19, novo coronavírus
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