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    Os restos mortais de Aquenáton, que reinou o Egito de 1353 a.C. a 1335 a.C. foram encontrados em 1907. Cientistas italianos em parceira com o artista forense 3D brasileiro, Cícero Moraes, revelaram os traços faciais do antigo faraó.

    Um antigo faraó egípcio que pode ter sido o pai do rei Tutancâmon ganhou um rosto com traços reais e uma expressão serena moldada por reconstrução digital. O projeto foi realizado por cientistas do Centro de Pesquisa em Antropologia Forense, Paleopatologia e Bioarqueologia (FAPAB, na sigla em inglês) da Sicília, Itália, em estreita colaboração com Cícero Moraes, artista forense 3D do Brasil.

    Os restos mortais, identificados por arqueólogos na tumba KV 55, foram encontrados em 1907 no Vale dos Reis, no Egito, a poucos metros da tumba de Tutancâmon, e foram identificados por análise genética como pertencentes ao pai biológico do rei Aquenáton, que reinou de 1353 a.C. a 1335 a.C., e que teria sido o primeiro rei a introduzir o monoteísmo no Egito.

    Crânio do faraó Aquenáton descoberto em janeiro de 1907 na tumba KV 55, no Egito, e hoje exposto no Museu do Cairo
    © Foto / Public domain
    Crânio do faraó Aquenáton descoberto em janeiro de 1907 na tumba KV 55, no Egito, e hoje exposto no Museu do Cairo

    Os cientistas usaram um processo de reconstrução chamado método Manchester para trazer o rosto do rei para o presente "das sombras da história", disse Francesco Galassi, diretor e cofundador do FAPAB.

    Músculos faciais e ligamentos moldados digitalmente no crânio KV 55, supostamente do faraó Aquenáton
    Músculos faciais e ligamentos moldados digitalmente no crânio KV 55, supostamente do faraó Aquenáton
    Durante este processo, "os músculos e ligamentos faciais são modelados no crânio de acordo com as regras da anatomia", disse Galassi à Live Science. "A pele é colocada em cima disso, e as espessuras do tecido são valores médios que foram determinados cientificamente."

    O artista brasileiro Cícero Moraes é conhecido por seu trabalho de reconstrução de rostos do passado. O novo modelo de Moraes, que levou meses para ser projetado, omite cabelos, joias e outros adornos, para "focar nos traços faciais desse indivíduo", sendo esta a reconstrução mais precisa do rei até hoje.

    O artista forense 3D brasileiro, Cícero Moraes, em parceria com cientistas italianos criaram modelo digital com traços faciais do pai do faraó Tutancâmon, do Egito
    O artista forense 3D brasileiro, Cícero Moraes, em parceria com cientistas italianos criaram modelo digital com traços faciais do pai do faraó Tutancâmon, do Egito

    O passado sombrio do rei

    Aquenáton ascendeu ao trono como Amenhotep IV e assumiu seu novo nome, que significa "o servo de Aton" - um deus egípcio do Sol - no início de seu reinado. Ele então começou a desmantelar o sacerdócio que servia ao panteão de divindades do Egito, a fim de estabelecer uma adoração monoteísta de Aton, de acordo com o Departamento de História da Universidade Estadual de Ohio, nos EUA.

    Os arqueólogos encontraram o rei mumificado em uma tumba não decorada que continha tijolos gravados com feitiços mágicos com o nome de Akhenaton, traduzido para o português como Aquenáton.

    Com base em objetos na tumba e no sexo do esqueleto, alguns arqueólogos concluíram que ele deveria representar o pai do rei Tutancâmon. No entanto, a análise dos dentes e ossos revelou que o homem era mais jovem do que o esperado. Ele tinha cerca de 26 anos quando morreu, enquanto os registros sugerem que Aquenáton governou por 17 anos e teve uma filha durante o primeiro ano de seu reinado, disse Galassi.

    "Alguns arqueólogos tendem a presumir que ele começou seu reinado como um jovem adulto, e não como uma criança. Por esta razão, tem havido tentativas contínuas para considerá-lo mais velho do que a anatomia real indica", disse ele.

    Mais tarde, em 2010, uma análise genética sugeriu que os restos mortais em questão pertencem ao filho de Amenhotep III, fornecendo mais evidências de que ele era Aquenáton, ou seja, pai de Tutancâmon. No entanto, essa conclusão também traz controvérsia, já que os dados genéticos de múmias egípcias podem ser confusos pelo fato de que o incesto entre irmãos era uma prática comum nas dinastias reais à época.

    Um relatório mais detalhado da reconstrução do faraó será publicado ainda este ano em 2021, disseram representantes do FAPAB, na Itália.

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    Tags:
    múmia, Egito, faraó, rosto, digital, 3D, reconstrução, artista, brasileiro
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