06:30 31 Julho 2021
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    Uma avalanche de cinzas e gás conhecida como fluxo piroclástico cobriu a antiga cidade romana de Pompeia e sufocou seus habitantes em apenas 15 minutos, de acordo com o novo estudo.

    Cerca de duas mil pessoas morreram na cidade e nos seus arredores quando o vulcão Vesúvio entrou em erupção em 79 d.C., porém, elas não foram oprimidas pela lava, mas sim sufocadas na fenomenalmente rápida – de até 724 quilômetros por hora – nuvem de gases tóxicos e cinzas, segundo os pesquisadores do Departamento Geoambiental de Ciências da Terra da Universidade de Bari, Itália.

    Junto com colegas do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV, na sigla em inglês) e do Serviço Geológico Britânico (BGS, na sigla em inglês) em Edimburgo, os cientistas procuraram modelar o fluxo piroclástico imensamente destrutivo constituído por pedaços de lava solidificada, cinza vulcânica e gases tóxicos quentes.

    Restos perfeitamente conservados de duas pessoas foram encontrados durante escavações a aproximadamente 700 metros da antiga cidade romana de Pompeia
    Restos perfeitamente conservados de duas pessoas foram encontrados durante escavações a aproximadamente 700 metros da antiga cidade romana de Pompeia

    A nuvem gasosa engoliu a cidade entre dez a 20 minutos, pouco depois da meia-noite na hora local (18h00 no horário de Brasília), embora a erupção tivesse começado às 13h00 (09h00 horário de Brasília) do dia anterior, asfixiando muitos dos condenados habitantes em suas camas e casas.

    "Estes 15 minutos dentro desta nuvem infernal deviam ter sido intermináveis. Os habitantes não poderiam imaginar o que estava acontecendo. Os pompeianos viviam com terremotos, mas não com erupções, então eles foram apanhados de surpresa e varridos pela nuvem incandescente de cinzas", contou o sênior pesquisador do Observatório do Vesúvio no INGV, Roberto Saia, citado pelo The Guardian.

    Alguns residentes de antigas cidades vizinhas como Oplontis, Estábia e Herculano foram, com maior probabilidade, também mortos pela chuva de pedra-pomes e rocha vulcânica conhecida como lapilli, embora a maioria tenha sofrido um final agonizante ao se sufocarem até a morte nas plumas tóxicas de cinza vulcânica.

    Para o povoado de Herculano, aos pés do vulcão, a sobrevivência era impossível dada a ferocidade do fluxo piroclástico. Ao longo de dois dias, o vulcão desencadeou um calor térmico 100 mil vezes maior do que o emitido por bombas atômicas lançadas em Hiroshima e Nagasaki, cobrindo os assentamentos locais com cinzas e destroços do vulcão em até 9,1 metros.

    Este tipo de pesquisa pode ser útil em futuras iniciativas de proteção civil para centros populacionais perto de vulcões em franca atividade no mundo.

    Tags:
    arqueologia, erupção, Monte Vesúvio, vulcão
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