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    COVID-19 no mundo no final de março de 2021 (98)
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    Este mês, quase duas dúzias de nações suspenderam temporariamente o uso da vacina desenvolvida pela gigante farmacêutica AstraZeneca em parceria coma Universidade de Oxford, Reino Unido.

    Pesquisadores alemães descobriram a possível causa para o surgimento de coágulos sanguíneos em pessoas que receberam a vacina contra COVID-19 da AstraZeneca/Oxford. De acordo com os cientistas, "em casos raros", a vacina pode criar anticorpos que levam à formação de coágulos sanguíneos nos seios venosos do cérebro.

    "O anticorpo, que em casos raros se forma após a vacinação, ativa as plaquetas sanguíneas. Estes, então, atuam como cicatrização de feridas e desencadeiam a trombose no cérebro", lê-se no comunicado da Universidade de Medicina de Greifswald, divulgado na sexta-feira (19).

    Após analisar amostras de sangue de seis pacientes que desenvolveram trombose após serem inoculados com a vacina da AstraZeneca/Oxford, os cientistas descobriram que o imunizante ativou um mecanismo que causa a formação de coágulos sanguíneos no cérebro.

    Com base nessa descoberta, os pesquisadores propuseram um tratamento com drogas que auxiliariam no combate à trombose, mas enfatizaram que tal tratamento só deve ser aplicado em pessoas vacinadas que desenvolveram os coágulos sanguíneos, e não de maneira preventiva.

    Comentando sobre a pesquisa, Andreas Greinacher, cientista envolvido na descoberta, afirmou que "pouquíssimas pessoas desenvolverão essa complicação" e que "se acontecer, agora sabemos como tratar os pacientes".

    Idoso recebe a vacina da AstraZeneca/Oxford contra a COVID-19 em Olinda, no Recife.
    © Folhapress / José Marcos/Agência Enquadrar
    Idoso recebe a vacina da AstraZeneca/Oxford contra a COVID-19 em Olinda, no Recife.

    Coágulos fatais

    Houve relatos no início deste mês de cerca de 30 coágulos sanguíneos ocorrendo após a vacinação contra a COVID-19 com o inoculante da AstraZeneca/Oxford, alguns deles fatais. Isso levou a que 20 países europeus suspendessem o uso da vacina.

    A maioria dos países retomou o uso, no entanto, depois que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) ter conduzido uma investigação e declarado na quinta-feira (18) que a vacina da AstraZeneca é segura e eficaz. A EMA disse que os benefícios da vacina superam em muito os potenciais riscos, e apontou que a taxa de coágulos sanguíneos pós-vacina foi realmente menor do que a taxa esperada na população em geral.

    Os resultados da pesquisa dos cientistas alemães, que serão publicados na revista científica The Lancet nos próximos dias, ecoam as conclusões independentes de um grupo de pesquisadores noruegueses, que, na quinta-feira (17), afirmou ter encontrado o mecanismo por trás das reações adversas da vacina da AstraZeneca/Oxford.

    De acordo com os especialistas noruegueses, a vacina em questão desencadeia uma forte reação imune que leva a uma rara combinação de coágulos de sangue e contagem baixa de plaquetas (trombócitos).

    Greinacher anunciou que o resultado da pesquisa alemã foi comunicada ao Instituto Paul Ehrlich, responsável pela regulação e aprovação de medicamentos na Alemanha.

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    COVID-19 no mundo no final de março de 2021 (98)

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    Tags:
    Universidade de Oxford, Europa, União Europeia, vacina, vacina, vacinação, pandemia, novo coronavírus, COVID-19
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