03:23 18 Junho 2021
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    Os ossos, de aproximadamente 1.300 anos, indicam o status social do falecido, que em sua infância sofreu dolorosas doenças e desnutrição.

    As análises dos restos mortais de um diplomata da civilização maia, encontrados em uma sepultura de quase 1.300 anos, permitiram reconstruir a vida do falecido a partir das deformações de seu crânio e incrustações dentárias.

    Durante as escavações, em um sítio arqueológico de El Palmar, próximo da fronteira com Guatemala e Belize, os arqueólogos descobriram uma escadaria decorada com hieróglifos, que antigamente dava acesso a uma plataforma para espetáculos cerimoniais.

    Implantes de pedras de pirita de jade em dentes encontrados na sepultura de um diplomata maia no México
    Implantes de pedras de pirita de jade em dentes encontrados na sepultura de um diplomata maia no México

    As inscrições eram o testemunho do trunfo diplomático de Ajpach' Waal, uma espécie de embaixador maia encarregado de portar a bandeira do governante local nas missões diplomáticas a outras cidades.

    Os hieróglifos revelaram que em junho de 726 d.C., Waal viajou 500 quilômetros para encontrar o rei de Copán, em Honduras, com o objetivo de estabelecer uma aliança entre as dinastias de Copán e Calakmul.

    Apesar de não fazer parte da realeza, o emissário herdou o importante cargo através de sua linhagem paterna.

    Seu elevado status social foi confirmado pelo fato de ter ordenado a construção da plataforma, algo que apenas pessoas influentes poderiam fazer.

    Os especialistas encontraram a intacta sepultura com os restos ósseos do homem, que morreu a uma idade compreendida entre 35 e 50 anos, enterrado sob o chão de um templo.

    "Sua vida não era como esperávamos com base nos hieróglifos [...]. Muitas pessoas dizem que a elite desfrutou em suas vidas, mas a história é mais complexa", afirmou Kenichiro Tsukamoto, professor de antropologia e líder do estudo.

    As análises de datação indicaram que todos os dentes frontais do embaixador tinham sido perfurados com implantes de pedras de pirita de jade, um procedimento considerado um rito de passagem durante a puberdade para confirmar a inclusão em um alto cargo ou grupo social.

    Um dos artefatos encontrados na sepultura de El Palmar, México
    Um dos artefatos encontrados na sepultura de El Palmar, México

    Contudo, os ossos mostraram uma vida complexa, já que o embaixador havia sido curado de uma periostite nos braços, condição em que a membrana que envolve os ossos fica inflamada, após um trauma, escorbuto, raquitismo ou infecções bacterianas.

    Além disso, seu crânio apresentou áreas porosas e esponjosas nas laterais, lesões originadas por deficiências nutricionais ou doenças.

    Os especialistas também notaram que o embaixador tinha artrite nas mãos, pés, cotovelo direito, joelho esquerdo e tornozelo esquerdo, sugerindo que a inflamação óssea pode ter decorrido devido ao carregamento da bandeira sobre terrenos desnivelados, e pelo costume de se ajoelhar diante dos governantes.

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    arqueólogos, arqueólogo, arqueologia, descoberta, civilização, México
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