03:17 21 Setembro 2021
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    Equipe de pesquisadores verificou que o distante planeta chamado "subnetuno" pode ter tido sua atmosfera regenerada por atividade vulcânica. Novo telescópio que será lançado neste ano poderá desvendar mais detalhes.

    No início deste mês, uma equipe de astrônomos descobriu que um novo exoplaneta subnetuno perdeu sua atmosfera original ao longo de um período de tempo e, estranhamente, conseguiu ganhar uma segunda atmosfera por meio do processo de atividade vulcânica. Trata-se de exoplaneta rochoso do tamanho da Terra chamado cientificamente GJ 1132 b.

    O subnetuno orbita uma estrela anã vermelha a 41 anos-luz de distância da Terra. Em alguns aspectos, o GJ 1132 b tem paralelos intrigantes com o nosso planeta, mas em outros é muito diferente. O grupo de pesquisadores identificou que o exoplaneta teria perdido sua atmosfera inicial como resultado da intensa radiação emitida pela anã vermelha que orbita. A pesquisa é muito nova e será publicada na próxima edição do The Astronomical Journal.

    As conclusões foram obtidas a partir das observações feitas pelo telescópio espacial Hubble da NASA e por meio de modelagem por computador. A análise dos registros revelou que a nova atmosfera consiste em hidrogênio, cianeto de hidrogênio, metano e névoa de aerossol, um composto semelhante à poluição atmosférica da Terra.

    Além disso, os pesquisadores acreditam que os componentes de hidrogênio da atmosfera secundária são derivados da atmosfera original, que era composta por hidrogênio e hélio primordiais. A análise da equipe sugere que os elementos de hidrogênio foram absorvidos pelo manto de magma derretido do GJ 1132 b e são constantemente liberados de volta ao planeta através do vulcanismo.

    A equipe acredita que o GJ 1132 b é capaz de manter seu manto líquido o suficiente para alimentar a atividade vulcânica devido ao aquecimento das marés, uma vez que o planeta se mantém próximo à sua estrela hospedeira, realizando uma órbita completa a cada dia e meio.

    Raissa Estrela, uma das autoras do estudo que trabalha com o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, explicou em um comunicado desta semana que a equipe inicialmente não tinha interesse em explorar o funcionamento interno do exoplaneta.

    "Primeiro pensamos que esses planetas altamente irradiados poderiam ser muito enfadonhos, porque acreditamos que eles perderam suas atmosferas. Mas olhamos as observações existentes deste planeta com o Hubble e dissemos: 'Oh não, há uma atmosfera lá'", observou Estrela.

    A expectativa dos cientistas é de que o Telescópio Espacial James Webb, que deve ser lançado ao espaço em outubro, poderá ser capaz de oferecer mais informações sobre o exoplaneta, com a esperança de que as imagens infravermelhas do instrumento sejam capazes de vasculhar a superfície do "subnetuno".

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