09:23 23 Junho 2021
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    O estudo de um fóssil encontrado na Hungria, que se pensou ser um choco pré-histórico, revelou que os vestígios pertencem na realidade a uma espécie de lula-vampira, de acordo com artigo agora publicado.

    A idade de fóssil é estimada em 23-34 milhões de anos, sendo o primeiro achado que permite ligar as lulas-vampiras modernas Vampyroteuthis infernalis a seus "parentes" distantes do Período Cretáceo, que viveram há 190-150 milhões de anos, segundo artigo divulgado na revista Communications Biology.

    A lula-vampira moderna Vampyroteuthis infernalis habita as águas profundas do Atlântico, Índico e Pacífico, sendo o único cefalópode conhecido pela ciência que passa toda sua vida a profundidades de 400-1.000 metros, em condições extremas de obscuridade completa e com um mínimo de oxigênio na água.

    Não se sabe ainda quando e como as lulas-vampiras adquiriram tais capacidades, que lhes permitiram adaptar-se a um ambiente marítimo profundo, onde a maioria dos organismos superiores com metabolismo aeróbico não consegue viver. Isto porque o único sobrevivente da espécie Vampyroteuthis infernalis é único no sentido pleno da palavra. Os seus parentes mais próximos existiram há milhões de anos, no período Cretáceo e só os conhecemos por meio de fósseis.

    No entanto, cientistas da Universidade Karlova de Praga (República Tcheca), liderados por Martin Kostak, junto com colegas da Alemanha, Hungria e Eslováquia, anunciaram a descoberta de um fóssil que fecha a lacuna de 120 milhões de anos entre as lulas-vampiras do Cretáceo e as modernas.

    Fósseis da nova espécie de lula-vampira Necroteuthis hungarica, descobertos pela equipe de cientistas liderada por Martin Kostak
    Fósseis da nova espécie de lula-vampira Necroteuthis hungarica, descobertos pela equipe de cientistas liderada por Martin Kostak

    Os autores da pesquisa designaram a nova espécie Necroteuthis hungarica e atribuíram-na à família Vampyroteuthidae. Os resultados das análises mostraram que há 23 milhões de anos as lulas-vampiras viviam nas profundidades do oceano, com um teor de oxigénio extremamente baixo.

    Os investigadores especulam que a alta concorrência nas águas quentes das zonas costeiras forçou os animais a descer cada vez mais em busca de alimento e, com o tempo, adaptaram-se à vida nas profundidades, onde há pouco oxigénio e luz, mas muita comida e não existem predadores.

    Além disso, tal estratégia permitiu às lulas sobreviver não só às crises climáticas, com os seus episódios de falta de oxigênio e mudança abrupta do nível do mar, mas também à extinção em massa, quando todos os dinossauros e cerca de metade das espécies de animais marinhos desapareceram.

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    Tags:
    Hungria, paleontologia, fóssil, lula
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