05:34 01 Março 2021
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    Astrofísicos norte-americanos calcularam que corpo celeste colidiu com a Terra no fim do Cretáceo, causando a morte de dinossauros, e de três quartos da fauna e flora terrestres.

    Os pesquisadores da Universidade Harvard revelaram nova hipótese sobre origem do objeto cuja colisão com a Terra causou o surgimento da cratera de Chicxulub, no México, que tem diâmetro de 180 quilômetros e profundidade inicial de 20 quilômetros. Antes se pensava se tratar de um asteroide de dezenas de quilômetros de tamanho, mas sua origem era desconhecida.

    Usando dados de análise estatística e modelação gravitacional, os astrofísicos provaram que foi um cometa, vindo da Nuvem de Oort, localizada à beira do Sistema Solar, que foi desviado pelo campo gravitacional de Júpiter e direcionado ao Sol. A força de maré solar o despedaçou, tendo uma parte do cometa colidido com a Terra, segundo o estudo publicado na revista Scientific Reports.

    "Basicamente, Júpiter funciona como uma espécie de máquina de fliperama", de acordo com autor principal do estudo, astrofísico Amir Siraj. "Júpiter joga estes cometas não periódicos para as órbitas que se aproximam do Sol."

    Cometas não periódicos, que precisam de cerca de 200 anos para orbitar o Sol, devem colidir com a Terra a cada 250-730 milhões de anos, sendo esta estimativa cerca de dez vezes mais frequente do que era considerado anteriormente, conforme a pesquisa.

    Além disso, a modelação mostrou que cerca de 20% dos cometas não periódicos são destruídos na parte interna do Sistema Solar devido à gravidade solar.

    "Cometas rasantes acabam nem derretendo muito, já que o gelo corresponde a uma pequena massa, mas o cometa está tão perto do Sol que a parte que está mais próximo do Sol sente uma força gravitacional mais forte do que a parte que está mais longe do Sol, causando uma força de maré", comentou Siraj.

    "Você tem o que é chamado de evento de perturbação de marés, por isso os cometas grandes que se aproximam do Sol são destruídos em pedaços pequenos", afirmou Siraj.

    Além disso, a nova hipótese explica melhor a composição do corpo celeste destruidor dos dinossauros. As provas, encontradas na cratera de Chicxulub e em outras crateras, sugerem que os objetos de sua origem eram compostos por condritos.

    Apenas um décimo dos asteroides de cinturão de asteroides, localizado entre as órbitas de Júpiter e Marte, tem esta composição. Ao contrário, os cometas não periódicos, em grande maioria, são compostos por condritos.

    "Nossa hipótese prevê que as outras crateras do tamanho da de Chicxulub na Terra têm mais probabilidade de corresponder a um impactador com uma composição primitiva (condricte carbonáceo) do que o esperado dos asteroides convencionais do cinturão de asteroides", conforme os autores do artigo.

    Trata-se da maior cratera confirmada na Terra, cratera de Vredefort, na África do Sul, que foi formada há cerca de dois bilhões de anos, e a cratera Zhamanshin no Cazaquistão, a maior do último milhão de anos.

    Os autores consideram que a frequência de tais eventos de impacto confirma seus cálculos, baseados no mecanismo de perturbação de marés de cometas não periódicos grandes do tamanho do objeto da cratera de Chicxulub, vindo da Nuvem de Oort.

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    Tags:
    asteroide, espaço, Terra, cometa, dinossauro, Sistema Solar
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