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    Pandemia da COVID-19 no mundo em meados de fevereiro de 2021 (110)
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    Análise de novas sequências genéticas oriundas de Wuhan apontam que variantes do vírus SARS-CoV-2 já existiam em dezembro de 2019. Esse dado pode ter contribuído para uma maior disseminação do vírus.

    Investigadores da Organização Mundial da Saúde (OMS), que buscam encontrar as origens do coronavírus na China, descobriram sinais de que o surto foi muito mais amplo na cidade de Wuhan em dezembro de 2019 do que se pensava anteriormente, segundo a CNN.

    Os especialistas coletaram pela primeira vez 13 sequências genéticas diferentes do vírus desde o começo da pandemia, e agora buscam com urgência o acesso a milhares de amostras de sangue que a China ainda não liberou, segundo a mídia.

    "O vírus estava circulando amplamente em Wuhan em dezembro, o que é uma nova descoberta", disse o investigador principal da missão, Peter Ben Embarek, em entrevista para CNN.

    Embarek acrescentou que a equipe teve acesso a 174 casos de coronavírus dentro e ao redor de Wuhan em dezembro de 2019. Destes, 100 foram confirmados por testes laboratoriais e outros 74 por meio do diagnóstico clínico de paciente com sintomas. Porém, o especialista afirmou que é possível que esse número seja maior, o que significa que a doença pode ter atingido cerca de mil pessoas em Wuhan naquela época.

    A equipe ampliou o tipo de material genético do vírus examinado, permitindo que fossem analisadas amostras genéticas ainda não estudadas. Como resultado, eles foram capazes de reunir pela primeira vez 13 sequências genéticas diferentes do vírus SARS-CoV-2 de dezembro de 2019.

    A descoberta de tantas variantes pode sugerir que o vírus estava circulando há mais tempo do que apenas naquele mês, como alguns virologistas sugeriram anteriormente. Este material genético é provavelmente a primeira evidência física a surgir internacionalmente para apoiar tal teoria.

    Equipe da OMS saindo do Mercado de Huanan, com o investigador principal da missão, Peter Ben Embarek, à direita (de óculos), Wuhan, China, 1º de fevereiro de 2021
    © REUTERS / THOMAS PETER
    Equipe da OMS saindo do Mercado de Huanan, com o investigador principal da missão, Peter Ben Embarek, à direita (de óculos), Wuhan, China, 1º de fevereiro de 2021

    O professor Edward Holmes, virologista da Universidade de Sydney (Austrália), vem estudando por um longo período o surgimento do vírus, e é um dos que defende que a diversidade de cepas pode realmente ter contribuído para o vírus se espalhar por um tempo maior sem ter sido detectado.

    "Como já havia diversidade genética nas sequências de SARS-CoV-2 analisadas em Wuhan em dezembro de 2019, é provável que o vírus tenha circulado por um tempo maior. [...] Esses dados se encaixam com outras análises de que o vírus surgiu na população humana antes desse período, e que houve um período de transmissão enigmática antes de ser detectado pela primeira vez no mercado Huanan [em Wuhan]", disse Holmes, citado pela mídia.

    Intensas pesquisas continuam a ser realizadas para se chegar à conclusão final sobre o surgimento da pandemia que já matou milhares de pessoas, e que assola cada vez mais a economia mundial. A China diz estar aberta para que as investigações continuem, mas convoca outros países a fazerem o mesmo, como foi a declaração do Ministério das Relações Exteriores chinês ao instar os EUA para que também deixassem a equipe da OMS fazer investigações no país.

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    Pandemia da COVID-19 no mundo em meados de fevereiro de 2021 (110)

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    Tags:
    pandemia, novo coronavírus, OMS, COVID-19, China
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