05:27 12 Maio 2021
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    Novos estudos, feitos por equipe norte-americana, fazem uso de material genético de ancestrais do homem moderno e podem ajudar no desenvolvimento de tratamentos para doenças psiquiátricas.

    Pesquisadores têm usado material genético encontrado em crânios de neandertais para desvendar mais sobre a evolução do cérebro humano. Cientistas norte-americanos tiveram sucesso no cultivo de organoides do cérebro humano, ou "minibrains", que contêm a variante neandertal de um gene chamado NOVA1. O estudo foi publicado na revista Science.

    "A versão arcaica do gene muda a forma desses organoides", diz Alysson Muotri, professor da Universidade da Califórnia em San Diego e do Consórcio Sanford para Medicina Regenerativa. Os organoides com o antigo gene NOVA1 também parecem amadurecer mais rapidamente e permanecem menores do que seus equivalentes modernos, diz Muotri. "Os neurônios começam a ficar mais ativos em estágios muito iniciais", diz ele.

    As descobertas são condizentes com hipótese de que os humanos modernos desenvolveram cérebros grandes, que continuam se desenvolvendo muito depois do nascimento, para lidar com sistemas sociais complexos.

    O laboratório do cientista Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia, em San Diego, desenvolveu a partir de células-tronco humanas organoides cerebrais que substituíram genes experimentais dos neandertais por genes humanos
    Muotri Lab / UC San Diego
    O laboratório do cientista Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia, em San Diego, desenvolveu a partir de células-tronco humanas organoides cerebrais que substituíram genes experimentais dos neandertais por genes humanos

    Muotri diz que provavelmente há uma razão pela qual os humanos com a nova variante do NOVA1 sobreviveram, enquanto aqueles com a versão antiga morreram. "Isso poderia sugerir que em algum momento durante a evolução adquirimos essa mutação e isso nos trouxe [uma] tremenda vantagem de poder ter esse cérebro complexo mais tarde na vida", teoriza.

    Essa ideia recebe apoio de cientistas que estudam a influência dos genes neandertais que ainda estão presentes em muitos humanos, especialmente aqueles de ascendência europeia e do leste asiático.

    Pesquisa da dra. Karen Berman, chefe do ramo de neurociência clínica e translacional do Instituto Nacional de Saúde Mental, mostrou que pessoas com mais material genético neandertal tendem a ter crânios mais parecidos com os dos neandertais.

    Comparados com os organoides cerebrais cultivados a partir de células humanas comuns (esquerda), os organoides com a variante do gene Neandertal (direita) têm uma camada externa rugosa
    Muotri Lab / UC San Diego
    Comparados com os organoides cerebrais cultivados a partir de células humanas comuns (esquerda), os organoides com a variante do gene Neandertal (direita) têm uma camada externa rugosa

    Berman e seus colegas também encontraram evidências de que os genes do homem de Neandertal favoreciam a criação de redes cerebrais dedicadas a habilidades visuais e espaciais em vez de interações sociais. "Pode ter sido a falta dessas redes sociais que levou à extinção do neandertal", supõe Berman.

    O dr. Michael Gregory, psiquiatra e cientista da equipe de Berman, diz que os cérebros de neandertais podem ter ficado desatualizados. "Se eles saíssem em busca de alimentos ou para caçar, poderiam encontrar melhor o caminho de ida e volta para lugares diferentes", diz ele. "Mas eles não poderiam formar grupos tão bem para lutar contra predadores comuns."

    "O que nos move não é apenas [saber] como as coisas aconteceram ao longo do tempo e ao longo da evolução", diz ele, "mas também como elas deram errado e causaram doenças neuropsiquiátricas". A resposta a essas questões poderá ajudar a desenvolver tratamentos melhores para doenças como esquizofrenia e autismo.

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    Tags:
    esquizofrenia, autismo, minicérebro, evolução, neanderthal
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