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    Pandemia da COVID-19 no mundo em meados de fevereiro de 2021 (110)
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    O uso imprudente de antibióticos para tratamento da COVID-19 pode levar a consequências desfavoráveis, contou à Sputnik o imunologista israelense, diretor de Pediatria do Hospital Hadassah Ein Kerem (Israel), professor Yakov Berkun.

    Segundo o imunologista, antibióticos são ineficazes no tratamento de infecções virais, incluindo a COVID-19. Ainda mais, o uso imprudente de antibióticos pode resultar em consequências graves.

    "Estudos recentes, publicados na revista Infection Control & Hospital Epidemiology, demonstraram que, ao todo, entre 5% e 7% dos infectados pelo coronavírus na forma grave –trata-se de 5% dos internados e não de todos os infectados – realmente necessitaram de antibióticos, uma vez que eles desenvolveram doenças bacterianas secundárias, enquanto cerca de 70% ou mais dos internados com COVID-19 recebem antibióticos. Ou seja, o número de pessoas a receber antibióticos é dez vezes superior ao que é realmente justificável", afirmou Berkun.

    Vale destacar que a taxa de mortalidade do SARS-CoV-2 só cresceu no grupo de infectados que receberam prescrição de antibióticos, de acordo com resultados de estudo publicado pelo centro de informação Elsewier. Os pesquisadores chegaram à conclusão referida após análise dos resultados de tratamento em Wuhan (China) e expulsão da influência de gravidade de doença como fator que contribui para mortalidade.

    A prescrição imprudente de medicamentos antibacterianos acaba fazendo com que mais bactérias desenvolvam resistência aos antibióticos existentes. Pela primeira vez, a penicilamina foi utilizada em 12 de fevereiro de 1941 pelos cientistas Howard Florey e Ernst Chain para o tratamento de policial que estava morrendo de sepse sanguínea. Na época, a descoberta de novo remédio se tornou um avanço científico e panaceia contra infecções bacterianas. Mas 80 anos depois, superbactérias, cuja resistência a antibióticos está constantemente crescendo, apresentam uma ameaça séria a pacientes em hospitais.

    O tratamento desnecessário através de antibióticos ocasiona resultados negativos, como infecções fúngicas em crianças, doenças autoimunes, redução de imunidade e desordem da microflora intestinal. No entanto, médicos enfrentam a pressão de pacientes e familiares que consideram antibióticos a melhor opção.

    "Eu encontro com frequência não só pais preocupados, mas todo mundo em geral, é difícil para pacientes ouvir que têm uma infecção viral e não precisam tratá-la com nada, pois o próprio organismo lida com a infecção viral. Há grande pressão tanto de pacientes como de familiares, para que o médico dê algo. E muito infelizmente, mas a maioria dos médicos, em vez de explicarem, cede, claro que é mais fácil prescrever antibióticos para ficar em paz", detalhou o especialista.

    Segundo dados da OMS, cerca de 700 milhões de pessoas morrem anualmente por causa de bactérias super-resistentes a remédios. Além disso, não é rentável para farmacêuticas desenvolver antibióticos mais potentes, por não serem utilizados em massa e acabarem sendo tomados por um período de tempo curto.

    Do ponto de vista do entrevistado, a razão do crescimento de resistência a bactérias é o curso interrompido de antibióticos.

    "Quando pessoas param [de tomar antibióticos] antes do prazo ou receberam uma dose muito pequena, é como se não tivessem combatido o germe, e tudo que não mata os fortalece, consequentemente, proporcionando o surgimento de micróbios multirresistentes", explica o professor.

    Combates diferentes a bactérias estão sendo ativamente buscados nos dias de hoje.

    No entanto, a gradual redução de eficácia dos antibióticos existentes não levará à catástrofe mundial, considera o especialista, uma vez que, primeiramente, superbactérias estão nos hospitais e não se transmitem a velocidades iguais às dos vírus e não são perigosas às pessoas com forte sistema imune.

    Tema:
    Pandemia da COVID-19 no mundo em meados de fevereiro de 2021 (110)

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    Tags:
    bactérias, antibióticos, novo coronavírus, COVID-19
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