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    Situação mundial da COVID-19 no início de fevereiro de 2021 (80)
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    A equipe de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) passou as últimas quatro semanas na cidade chinesa de Wuhan, investigando as origens do novo coronavírus.

    Na terça-feira (9), os especialistas da OMS deram uma coletiva de imprensa para anunciar os resultados de sua investigação na cidade de Wuhan.

    Os especialistas da OMS afirmaram ter estudado quatro versões possíveis da transmissão da COVID-19 para o humano: transmissão direito de um animal; introdução via uma espécie de hospedeiro intermediário; cadeia de alimentação, de produtos congelados, transmissão na superfície; e via incidente em laboratório.

    Transmissão direito de um animal

    Morcegos e pangolins não são reservatórios naturais da COVID-19, visto que os coronavírus identificados nessas espécies não são suficientemente semelhantes ao vírus SARS-CoV-2, afirmou Liang Wannian, especialista chinês da Universidade Tsinghua, China.

    "Os coronavírus mais relacionados ao SARS-CoV-2 são encontrados em morcegos e pangolins, sugerindo que [morcegos e pangolins] poderiam ser o reservatório do vírus que causa a COVID-19, com base nas altas similaridade e sequências entre vírus padrões e SARS-CoV-2. No entanto, os vírus identificados até agora de qualquer destas espécies não são suficientemente semelhantes ao SARS-CoV-2 para ser um progenitor direito do SARS-CoV-2", declarou Liang durante coletiva de imprensa.

    Hospedeiro intermediário

    A transmissão direita da COVID-19 de morcegos para humanos é pouco provável no mercado de Wuhan, dado que havia um hospedeiro intermediário, afirmou Peter Ben Embarek, especialista da segurança de alimentação da OMS.

    "Todas as pesquisas sobre as causas de surgimento do vírus levam a um reservatório natural deste vírus, e também dos vírus semelhantes, em morcegos. Mas como Wuhan não está perto do ambiente onde habitam os morcegos, a transmissão direita de morcegos em Wuhan é pouco provável. Por isso tentamos entender quais outros animais poderiam ser transportadores do vírus", disse Ben Embarek.

    A transmissão do vírus SARS-CoV-2 através de um hospedeiro intermediário provavelmente causou o surto da COVID-19, segundo OMS.

    "Nossas descobertas iniciais sugerem que introdução via uma espécie de hospedeiro intermediário é uma passagem mais provável, requerendo mais estudos e uma pesquisa científica mais específica", declarou Ben Embarek.

    Os cientistas ainda não identificaram a fonte animal e o hospedeiro intermediário da COVID-19.

    Membros da Organização Mundial da Saúde, Peter Ben Embarek e Marion Koopmans, encarregados de investigar as origens da COVID-19 participam de coletiva de imprensa do estudo conjunto OMS-China em um hotel em Wuhan, China, 9 de fevereiro de 2021
    © REUTERS / Aly Song
    Membros da Organização Mundial da Saúde, Peter Ben Embarek e Marion Koopmans, encarregados de investigar as origens da COVID-19 participam de coletiva de imprensa do estudo conjunto OMS-China em um hotel em Wuhan, China, 9 de fevereiro de 2021

    Cadeia de alimentação

    Além do mais, a versão de transmissão do vírus via a superfície de produtos congelados é possível, significando a possibilidade de que o vírus SARS-CoV-2 foi transmitido de outro lugar, de acordo com Ben Embarek.

    Incidente em laboratório

    É pouco provável que vazamento do vírus do laboratório de Wuhan tivesse desencadeado o surto da COVID-19, conforme Ben Embarek. Os especialistas da OMS não continuarão estudando a versão de vazamento de vírus de laboratório por ser improvável, informou o chefe do grupo de especialistas da OMS.

    "As descobertas sugerem que a hipótese de incidente em laboratório é explicação pouco provável de introdução do vírus na população humana. Assim, não vai estar entre as hipóteses que recomendaremos para estudo seguinte para a identificação das causas do surgimento do vírus", destacou Ben Embarek.
    Mercado de Wuhan

    Não há evidências de circulação da COVID-19 em Wuhan antes de dezembro de 2019, e não houve aumento de índices de mortes em Wuhan ou qualquer cidade na província de Hubei durante o período de julho a dezembro de 2019, segundo Wannian.

    "Durante o período de julho a dezembro de 2019, realizamos a revisão dos dados de vigilância relacionados à mortalidade na cidade de Wuhan e no resto da província de Hubei, produzindo pouca evidência de oscilações inesperadas significativas de mortalidade que poderia sugerir a ocorrência da transmissão do SARS-CoV-2. Não há indicação da transmissão do SARS-CoV-2 na população no período antes de dezembro. Não há evidências suficientes para determinar se o SARS-CoV-2 se espalhou em Wuhan antes de dezembro de 2019", declarou Liang.

    O chefe de grupo de especialistas da OMS declarou que até agora não se sabe que papel desempenhou o mercado de Wuhan na propagação do vírus SARS-CoV-2.

    É impossível identificar como a COVID-19 surgiu no mercado de Wuhan, baseando-se nos dados epidemiológicos atuais, de acordo com OMS.

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    Situação mundial da COVID-19 no início de fevereiro de 2021 (80)

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    Tags:
    vírus, morcego, novo coronavírus, Organização Mundial da Saúde, Wuhan, COVID-19
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