21:30 11 Maio 2021
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    Cientistas dos EUA tentam desvendar mistérios sobre vida em Marte através de orbitador que investiga como o planeta perdeu sua atmosfera. Um dos satélites naturais pode ajudar a encontrar respostas.

    Marte segue instigando a curiosidade dos cientistas que tentam descobrir se já houve vida no planeta. Uma das luas marcianas pode conter informações sobre como era Marte no passado, de acordo com novas pesquisas divulgadas na semana passada na revista Nature Geoscience.

    Os cientistas sabem que o Planeta Vermelho já teve atmosfera e água líquida em sua superfície, mas querem determinar como isso aconteceu. Com a ajuda do orbitador da NASA chamado MAVEN, que circula Marte há mais de seis anos, os cientistas coletam dados sobre o planeta para ajudar a descobrir como ele perdeu sua atmosfera e por que seu clima mudou.

    O planeta Marte tem duas pequenas luas de aspecto disforme. Fobos e Deimos, descobertas em 1877. O satélite Fobos orbita cerca de 60 vezes mais próximo de Marte em comparação à distância da nossa Lua da Terra, e semelhante à Lua, Fobos também posiciona sempre o mesmo lado para Marte. É tão próximo de Marte que cruzou o caminho do MAVEN várias vezes ao dia durante a missão do orbitador.

    O orbitador MAVEN, por vezes, cruza a órbita de Fobos. A imagem mostra a configuração das duas órbitas no início de dezembro de 2015, quando as observações iniciaram
    © NASA . CU/LASP e NASA
    O orbitador MAVEN, por vezes, cruza a órbita de Fobos. A imagem mostra a configuração das duas órbitas no início de dezembro de 2015, quando as observações iniciaram

    Quentin Nénon, principal autor do estudo e pesquisador do Laboratório de Ciências Espaciais do Universidade da Califórnia, Berkeley, e sua equipe puderam determinar que a órbita de Fobos passa direto por um fluxo de íons (átomos carregados e moléculas) que fluem da atmosfera de Marte. Esses íons têm escapado de Marte à medida que ele se desprendeu de sua atmosfera ao longo de bilhões de anos, e Fobos pode conter vestígios.

    Sendo assim, o satélite foi atingido de um lado por um fluxo constante de partículas de Marte, de 20 a 100 vezes mais do que o outro lado. "Fobos tem pacientemente acumulado partículas que escapam da atmosfera marciana e pode, portanto, ter mantido por milênios um possível registro da atmosfera perdida do Planeta Vermelho", disse Nénon à CNN.

    Nova missão rumo à Marte

    A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão enviará uma missão para coletar amostras da superfície de Fobos em 2024 chamada Exploração de Luas Marcianas. Múltiplas missões já exploraram a superfície de Marte, no entanto, as luas são outra história, pois os cientistas sabem pouco sobre elas.

    É possível que as luas tenham se formado ao mesmo tempo que Marte ou talvez tenham sido criadas depois que um grande corpo impactou Marte. Ou ainda, devido à sua aparência disforme, elas podem até ser asteroides capturados pela atração gravitacional do planeta, disse Nénon.

    "Acho que a principal razão pela qual esse enigma persiste é porque não sabemos realmente a composição química de Fobos e Deimos a partir de observações ópticas remotas", confirmou o cientista, justificando a importância das amostras vindas de Fobos.

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    Tags:
    Orbitador de Reconhecimento Lunar, orbitador, vida, nave espacial, sonda espacial, expedição, Marte, lua, Fobos
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