06:23 28 Fevereiro 2021
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    Geneticistas acham "código de trapaça" bastante único no esperma de camundongos: uma mutação permite que espermatozoide desoriente outros para chegar ao sistema reprodutor feminino primeiro.

    Cientistas descobriram que uma variante nos genes de camundongos dá aos espermatozoides que possuem essa mutação uma clara vantagem, "envenenando" seus pares enquanto ainda estão em desenvolvimento, privando-os de sua capacidade de "farejar" com eficiência o caminho até o óvulo. Os resultados foram publicados na revista científica PLOS One na quinta-feira (4).

    "Espermatozoides com [a variante] haplótipo-t conseguem desativar os espermatozoides sem ela […] O truque é que a haplótipo-t 'envenena' todos os espermatozoides, mas, ao mesmo tempo, produz um antídoto, que age apenas nos espermatozoides-t e os protege […]. Imagine uma maratona, em que todos os participantes são envenenados por água potável, mas alguns corredores também tomam antídoto", explica em comunicado Bernhard Herrmann, coautor do estudo.

    Haplótipo-t é como os cientistas chamaram a mutação genética que promove o sucesso da fertilização do esperma que carrega essa variante. Os pesquisadores pela primeira vez mostraram experimentalmente que os espermatozoides com essa variante, que ocorre no cromossomo 17, são mais progressivos, ou seja, avançam mais rápido do que seus pares "normais" e, assim, estabelecem sua vantagem na fertilização.

    Esperma congelado, Reproductive Medicine Associates, Nova York
    Richard Drew
    Esperma congelado, Reproductive Medicine Associates, Nova York
    "Nossos dados destacam o fato de que os espermatozoides são concorrentes implacáveis […]. As diferenças genéticas podem dar aos espermatozoides individuais uma vantagem na corrida pela vida, promovendo assim a transmissão de variantes genéticas específicas para a próxima geração", afirma Herrmann.

    Desorientando os adversários

    Os cientistas perceberam que a variante interfere com a molécula RAC1. Essa molécula é conhecida por estar envolvida no direcionamento, por exemplo, de glóbulos brancos ou células cancerosas para células que exalam sinais químicos. Os novos dados sugerem que o RAC1 também pode desempenhar um papel no direcionamento dos espermatozoides para o óvulo, "farejando" o caminho até seu alvo.

    "A competitividade do espermatozoide individual parece depender de um nível ideal de RAC1 ativo; tanto a atividade RAC1 reduzida quanto excessiva interfere no movimento efetivo para a frente", explica Alexandra Amaral, autora principal do estudo.

    A variante haplótipo-t distorce os sinais regulatórios do RAC1. Esses fatores de distorção são estabelecidos na fase inicial da espermatogênese e são distribuídos a todos os espermatozoides de um camundongo portador da variante. Esses fatores são o "veneno" que perturba o movimento progressivo.

    O "antídoto" entra em ação depois que o conjunto de cromossomos é dividido igualmente entre os espermatozoides durante sua maturação, cada célula espermática agora contém apenas metade dos cromossomos. Apenas a metade do esperma com a variante produz um fator adicional que reverte o efeito negativo dos fatores de distorção. E esse fator de proteção não é distribuído, mas retido no espermatozoide-t.

    Sendo observada em ratos, a pesquisa tem relevância limitada para a reprodução humana. Mas os cientistas explicam que quanto mais entendermos sobre os diversos modelos de química reprodutiva em todo o reino animal, melhor entendemos como o nosso evoluiu.

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    Tags:
    cromossomo, genes, cientistas, rato, reprodução, esperma
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