03:56 01 Março 2021
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    Estudo revelou novo ciclo de emissões naturais de hidrocarboneto e sua reciclagem facilitada por muitos organismos pequenos, o que pode ajudar a entender melhor como os micróbios podem limpar a bagunça depois de vazamento de petróleo em um oceano.

    "Apenas dois tipos de cianobactérias marinhas adicionam até 500 vezes mais hidrocarbonetos no oceano anualmente do que a soma de todos os tipos de petróleo inseridos no oceano, vazamentos naturais de petróleo, derramamento de petróleo, alijamento de combustível e escoamento de terra", afirmou o cientista Connor Love da Universidade da Califórnia, Santa Barbara (UCSB, na sigla em inglês), EUA.

    Comparando com os hidrocarbonetos produzidos pelos humanos, os naturais possuem um ciclo de movimento constante. São os hidrocarbonetos principalmente em forma de pentadecano (nC15) que estão espalhados em 40% da superfície terrestre, e outros micróbios os comem.

    Traços de hidrocarbonetos humanos podem ser encontrados em grande parte de nosso ambiente. Emitimos estas moléculas de átomos de carbono e hidrogênio não apenas através da extração e utilização de combustíveis fósseis, mas de qualquer atividade humana. Cientistas afirmaram que emitimos tantos hidrocarbonetos que esquecemos o ciclo natural deles, segundo estudo publicado na revista Nature Microbiology.

    Nas águas subtropicais pobres em nutrientes do Atlântico Norte, longe da maioria das fontes humanas de hidrocarbonetos, cientistas coletaram amostras de água para experimento.

    Ao voltar à terra, os pesquisadores confirmaram a presença de pentadecano de origem natural em suas amostras de água do oceano, usando cromatógrafo a gás.

    Analisando os dados, os cientistas descobriram que as concentrações de pentadecano aumentam com maior abundância de células de cianobactérias, sendo as distribuições geográfica e vertical de hidrocarbonetos consistentes com a ecologia destes micróbios.

    As cianobactérias Prochlorococcus e Synechococcus são responsáveis por cerca de um quarto de conversão da energia solar do oceano global em matéria orgânica (produção primária), e durante o processo, acabam produzindo pentadecano.

    Espécie de cianobactéria marinha distribuída globalmente, Prochlorococcus
    © Foto / Public domain / Chisholm Lab
    Espécie de cianobactéria marinha distribuída globalmente, Prochlorococcus

    Cientistas sugeriram que provavelmente as cianobactérias usam pentadecano como um componente mais forte para membranas celulares altamente curvas, como as de cloroplastos (a organela que faz fotossíntese).

    O ciclo de pentadecano no oceano também segue o ciclo dessas cianobactérias. Sua migração vertical na água é uma resposta às mudanças de intensidade da luz ao longo do dia.

    Estes resultados sugerem que as cianobactérias são, de fato, a fonte de pentadecano biológico, que é consumido por outros microrganismos produtores do dióxido de carbono que as cianobactérias utilizam para continuar o ciclo.

    Os pesquisadores identificaram dezenas de bactérias e arqueas de superfície que floresceram, respondendo à adição de pentadecano em suas amostras.

    Os cientistas testaram se os micróbios que consumem hidrocarbonetos poderiam igualmente consumir o petróleo. Os pesquisadores adicionaram um hidrocarboneto de petróleo nas amostras, semelhante com vazamento de petróleo no golfo do México.

    Revelou-se que apenas as amostras marítimas de zonas já expostas a hidrocarbonetos não biológicos contêm micróbios que floresceram em resposta a consumir estas moléculas.

    Os testes de DNA mostraram que genes provavelmente codificantes de proteínas, que podem degradar estes hidrocarbonetos, diferiram entre os micróbios. Existe o contraste evidente entre aqueles que comem hidrocarbonetos biológicos e aqueles que devoram hidrocarbonetos de petróleo.

    "Demonstramos que há um ciclo de hidrocarbonetos rápido e massivo que ocorre no oceano e é distingue da capacidade do oceano de responder à entrada de petróleo", comentou cientista David Valentine, da UCSB.

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    Tags:
    ADN, cianobactérias, bactérias, petróleo, água, cientistas, oceano
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