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    A nova espécie de caimão chamada Chinatichampsus wilsonorum, descoberta no Texas, EUA, por um grupo de paleontologistas, mostra a redução significante da biodiversidade de caimões após alterações climáticas no período Cenozoico.

    O crânio de 42 milhões de anos estudado do caimão foi descoberto em 2010 na Estação de Pesquisa do Deserto Dalquest (DDRS, na sigla em inglês) no Texas, EUA, de acordo com o estudo publicado na revista científica PeerJ.

    "Este caimão parece deslocado", disse dr. Cristopher Brochu, paleontólogo do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade de Iowa (EUA).

    Há cerca de 56 milhões dos anos, a Terra era muito quente e o nível do metano tão alto que as calotas polares não podiam se formar. Assim, as condições climáticas eram favoráveis para répteis grandes como os crocodilos e os caimões. Tão favoráveis, que os animais vagavam por territórios chegando até o norte do Canadá.

    "Atualmente, os jacarés são uma radiação sul-americana. E dados modernos, incluindo DNA, sugerem uma origem única muito simples de um ancestral norte-americano", afirmou o dr. Brochu.

    A nova espécie da caimão, junto a outros fósseis norte-americanos mais antigos, sugere uma história inicial muito mais complexa de caminhos marítimos que separaram a América do Sul da América do Norte até bem recentemente, segundo os cientistas.

    Crânio do Chinatichampsus wilsonorum. (A) Cranio em vista dorsal. (B) Desenho de linhas interpretativo
    © CC BY 4.0 / Stocker et al. / TMM 45911-1, holotype of Chinatichampsus wilsonorum (cropped image)
    Crânio do Chinatichampsus wilsonorum. (A) Cranio em vista dorsal. (B) Desenho de linhas interpretativo
    "A presença do fóssil do caimão a 1.200 quilômetros ao norte do lugar onde os caimões são encontrados hoje, na verdade, diz algo sobre como o clima foi diferente no oeste do Texas durante o médio Eoceno", revelou o dr. Chris Kirk, paleontólogo do Departamento da Antropologia e Museu de História da Terra da Escola Jackson da Universidade do Texas em Austin (EUA).

    Uma época depois, no período Oligoceno, a temperatura no mundo inteiro baixou e muitos animais que requerem condições mais quentes e úmidas ficaram em áreas geográficas mais restritas, e sua biodiversidade foi reduzida, segundo o dr. Kirk. Os cientistas sugeriram que os caimões rastrearam as alterações da temperatura, do calor e da umidade que se transformaram do calor para o frio no período médio Eoceno.

    Crânio do Chinatichampsus wilsonorum. (A) Crânio em vista lateral direita. (B) Desenho de linhas interpretativo
    © CC BY 4.0 / Stocker et al. / TMM 45911-1, holotype of Chinatichampsus wilsonorum (cropped image)
    Crânio do Chinatichampsus wilsonorum. (A) Crânio em vista lateral direita. (B) Desenho de linhas interpretativo

    "Qualquer fóssil descoberto fornece informações únicas para entendermos melhor a história da vida. Os cientistas agora têm a possibilidade de compreender mais sobre a evolução dos caimões e dos crocodilos", disse a dr. Michele Stocker, paleontóloga do Departamento de Geociência do Instituto Politécnico da Universidade Estadual da Virgínia (EUA).

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    Tags:
    mudança climática, alterações climáticas, espécies, EUA, jacaré, crânio, paleontologia
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