03:20 04 Março 2021
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    Cientistas descobrem que o Sol varia em ciclos regulares de 11 anos e enfrenta diferentes períodos de atividade revelados por radiocarbono em anéis de árvores.

    Atualmente, grandes avanços tecnológicos transformaram nossas vidas para sempre. Através de um simples toque no celular podemos falar com uma pessoa do outro lado do mundo, fazer compras ou realizar transferências bancárias. A Internet quântica via drones já é uma realidade. Mas independente da tecnologia mais elevada que nossa mente possa criar, o Sol continua a ser a essência para nossa existência na Terra. Sem ele, não há tecnologia ou ciência que nos permita sobreviver.

    E se fosse possível reconstruir todos os ciclos solares desde 996 d.C.? Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (Suíça) comprovaram que sim. Para tal, foram utilizadas medições de um isótopo radioativo de carbono encontrado na madeira de árvores antigas que permitiram a reconstrução de todos os ciclos solares desde 996 d.C.. A pesquisa foi publicada na revista Nature.

    A técnica, chamada dendrocronologia de carbono 14 (C14), mede a atividade de nossa estrela ao longo dos anos por meio da análise dos anéis de crescimento das árvores desde o final do século XX. Porém, nessa época, os cientistas só conseguiam chegar até cerca de 400 anos atrás, devido à sensibilidade limitada dos aparelhos que mediam a concentração isotópica. 

    "As únicas medições desse tipo foram feitas nas décadas de 80 e 90, mas apenas sobre os últimos 400 anos, e utilizando um método de contagem extremamente antigo e laborioso" conta o líder da pesquisa Lukas Wacker, citado pela publicação do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique.

    Desta vez, os pesquisadores se voltaram para a espectrometria de massa usando um acelerador de partículas moderno. O cálculo com esta classe de dispositivos é bastante preciso, uma vez que o radiocarbono contém dois nêutrons adicionais em seu núcleo em comparação com o carbono 12 (C12), amplamente mais utilizado.

    Com os novos instrumentos desenvolvidos, os pesquisadores podem medir pequenas mudanças de alguns décimos nessa concentração e reconstruir a atividade solar passada a partir deles
    © Foto / ETH Zurich
    Com os novos instrumentos desenvolvidos, os pesquisadores podem medir pequenas mudanças de alguns décimos nessa concentração e reconstruir a atividade solar passada a partir deles

    As árvores armazenam apenas uma pequena fração do C14 radioativo: cerca de um para cada trilhão de átomos. Essa concentração diminui com o tempo, à medida que esse isótopo decai. A meia-vida desse radioisótopo é de 5.730 anos e, a partir dessa figura, pode-se calcular sua concentração normal para cada anel. O desvio deste valor indica o quão ativo o Sol estava naquele ano.

    Agora, com o resultado do estudo, há o conhecimento de que o número de manchas do Sol varia em ciclos regulares de 11 anos e que, além disso, existem períodos duradouros de forte e fraca atividade solar, que também refletem no clima da Terra.

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    Tags:
    planeta, astronomia, Sol, ciência
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