13:45 07 Maio 2021
Ouvir Rádio
    Ciência e tecnologia
    URL curta
    0 40
    Nos siga no

    Arqueólogos israelenses descobriram uma ferramenta de pedra de 350 mil anos, provavelmente utilizada para moer alimentos e outros materiais, confeccionada pelo menos 50 mil anos antes do surgimento do Homo sapiens.

    Arqueólogos da Universidade de Haifa, Israel, sugerem que uma pedra encontrada dentro da Caverna Tabun, em Monte Carmelo, ao norte do país, antecede o uso mais antigo conhecido de uma ferramenta abrasiva de cerca de 150 mil anos. O Monte Carmelo e suas numerosas cavernas são listadas como Patrimônio Mundial da UNESCO, e foram habitados diversas vezes desde 500 mil anos atrás.

    A última descoberta no local de ferramentas deste tipo é datada de cerca de 50 mil anos antes do surgimento do Homo sapiens. Na época, nossos parentes hominídeos mais próximos eram os agora extintos Homo erectus e Homo heidelbergensis.

    O instrumento é uma pedra de dolomita arredondada com sinais microscópicos de abrasão, de acordo com o artigo da revista cientifica Journal of Human Evolution.

    O instrumento encontrado mostra que os hominídeos adicionaram "uma tecnologia significante" à sua caixa de ferramentas em uma fase muito precoce de evolução. Embora fossem encontradas evidências de que os hominídeos usavam ferramentas de pedra há mais de 1,5 milhão de anos, as rochas eram usadas para socar ou esmagar.

    No entanto, a ferramenta de Monte Carmelo, tem sinais de abrasão porque foi o primeiro instrumento a ser utilizado de forma horizontal e não vertical. Esse método teria permitido os hominídeos a processarem materiais com muito mais delicadeza, segundo Ron Shimelmitz, do Instituto de Arqueologia de Zinman da Universidade de Haifa.

    Os cientistas sabem como foi manuseada a ferramenta, mas ainda não sabem para qual finalidade.

    Ferramenta pré-histórica encontrada na Caverna Tabun, em Monte Carmelo
    Ferramentas pré-históricas encontradas na Caverna Tabun, em Monte Carmelo

    A ferramenta foi encontrada em 1960, mas talvez por sua simplicidade, os pesquisadores não tenham prestado atenção suficiente ao instrumento, segundo dr. Shimelmitz. Recentemente, a pedra foi examinada pela segunda vez para analisar com mais detalhes descobertas feitas no local.

    Quando foram encontrados os sinais abrasivos na rocha, pesquisadores coletaram pedras similares da área e as esfregaram contra vários materiais em momentos diferentes. Então, descobriram que sinais resultantes combinavam melhor com os das rochas da Caverna Tabun, após as esfregarem contra peles de animais. A Caverna Tabun é uma das quatro cavernas no Monte Carmelo que apresenta traços de evolução humana.

    "Concluímos que a antiga pedra foi utilizada para moer materiais macios, no entanto, ainda não sabemos qual exatamente", comentou Gorman Yurslavski, da Universidade de Haifa.
    Machados de pedra encontrados na Caverna Tabun, em Israel
    Machados de pedra encontrados na Caverna Tabun, em Israel

    A pequena pedra tem grande importância porque permite aos pesquisadores estudarem a origem do processo de abrasão de antigas ferramentas, assim como as capacidades cognitivas e motoras desenvolvidas durante a evolução humana, que contribuíram para evolução e para fenômenos importantes da nossa cultura até os dias de hoje.

    A pedra é ligada à abrasão e ao desenvolvimento de tecnologias de produção de alimento, como também ao assentamento estacionário, à agricultura, ao armazenamento e, posteriormente, ao aumento da complexidade social e econômica, afirmaram os pesquisadores.

    Mais:

    Acampamentos inexplorados do Império Romano lançam luz sobre conquista da península ibérica (FOTOS)
    Humanos poderiam ter hibernado durante invernos rigorosos há 400 mil anos
    Cientistas descobrem segredo de 'primo' alemão de Stonehenge (FOTO)
    Estudo de DNA ancestral conduzido por Harvard revela origem dos primeiros povos do Caribe
    Tags:
    evolução, pedra, homo sapiens, israel, ferramentas, UNESCO
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar