06:17 17 Janeiro 2021
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    Por 3.700 anos, a "senhora de El Paraíso" manteve seu rosto escondido. Agora, graças a uma reconstrução inovadora feita de seu crânio e ossos, foi possível recriar rosto dessa proeminente peruana.

    Uma equipe de arqueólogos mostrou como deve ter sido o rosto de uma antiga nobre peruana que viveu há 3.700 anos e era conhecida como a "senhora de El Paraíso". O processo durou cerca de dois anos e contou com técnica inovadora de reconstrução baseada no crânio e ossos da aristocrata.

    "Ela é muito parecida com uma mulher de hoje […]. A intenção foi não exagerar nas feições porque queríamos alcançar a maior semelhança. Existe uma margem de erro porque nunca saberemos exatamente a espessura dos lábios, o comprimento do nariz ou o formato das orelhas, mas chegamos", afirmou a arqueóloga Dayanna Carbonel, diretora do projeto, em entrevista à agência EFE.

    Mulher era pequena e morreu jovem

    A análise do crânio permitiu aos especialistas conhecer as dimensões de certas partes do corpo da nobre peruana, como a largura do nariz e dos maxilares inferior e superior, além da altura, fixada em 1,50 metro. Além disso, graças aos dados recolhidos, os peritos determinaram que os restos mortais correspondem a uma jovem que morreu quando tinha entre 20 e 25 anos.

    Por 3.700 anos, a "senhora de El Paraíso", uma mulher da alta sociedade do Antigo Peru, manteve seu rosto escondido. No entanto, graças a uma reconstrução inovadora, sua aparência foi revelada

    A partir da recriação exata do crânio, o artista plástico Teo Ugarte contribuiu para desenhar os músculos e tecidos com argila e gesso. A equipe então usou fibra de vidro para criar o visual final. A imagem final mostra uma mulher com um rosto alongado, maçãs do rosto proeminentes, olhos pequenos, nariz saliente e boca estreita.

    A alcunha "senhora de El Paraíso" se deve ao local onde os ossos foram encontrados, em 2016. A zona arqueológica El Paraíso preserva um dos primeiros templos de Lima. A "senhora de El Paraíso" foi posteriormente batizada de Eva Lucía, não só em homenagem à companheira de Adão no jardim do Éden, mas também pela famosa australopithecus Lucy, um dos fósseis de hominídeo mais completos já descobertos.

    Papel de destaque na sociedade

    Eva Lucía estava em um de 11 túmulos pré-hispânicos encontrados até agora em El Paraíso. A "senhora de El Paraíso" não só foi sepultada dentro de um dos edifícios próximos ao templo principal de El Paraíso, mas também foi acompanhada de um valioso enxoval fúnebre.

    O rosto da "senhora de El Paraíso", uma mulher da alta sociedade do Antigo Peru. Seu rosto foi revelado graças a uma reconstrução inovadora feita a partir de seu crânio e ossos

    Eva Lucía foi enterrada em posição fetal em uma esteira de junco, acompanhada de elementos valiosos para a sociedade da altura, com conchas em leque, quartzos e uma máscara contendo cal.

    "A relevância desse achado é que estamos falando de uma mulher que possivelmente teve uma importante ligação simbólica nos ritos que eram praticados dentro dos prédios de El Paraíso […]. Ultimamente estamos descobrindo cada vez mais que as mulheres tiveram um papel importante, provavelmente associado a atos rituais", comenta Carbonel.

    Graças a uma doença óssea no úmero de seu antebraço, determinou-se que "a senhora de El Paraíso" era tecelã, e, devido à condição dos dentes, sabia-se que sua dieta se baseava em mandioca, abóbora, milho e feijão. "Não fomos capazes de determinar a causa de sua morte. Ainda é um mistério, mas os restos mortais puderam nos contar um pouco mais sobre sua vida", acrescentou a arqueóloga.

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    Tags:
    fósseis, crânio, sítio arqueológico, arqueologia, Peru
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