14:03 24 Janeiro 2021
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    Pesquisadores norte-americanos encontraram um novo gênero de angiosperma fóssil datado do período Cretáceo. A descoberta pode ajudar a trazer respostas sobre o antigo supercontinente de Gondwana.

    A nova flor fossilizada foi identificada como sendo da espécie Valviloculus pleristaminis, pertencente à ordem das Laurales, e apresenta em suas características uma taça floral oca em forma de ovo, uma camada externa com seis componentes semelhantes a pétalas, anteras de duas câmaras e sacos polínicos que se dividem por meio de válvulas articuladas lateralmente, segundo o estudo publicado no Journal of the Botanical Research Institute of Texas.

    "Esta não é bem uma flor de Natal, mas é uma beleza, especialmente ao considerarmos que fazia parte de uma floresta que existiu há quase 100 milhões de anos", disse o entomologista e principal autor do estudo, professor George Poinar Jr., do Departamento de Biologia Integrativa da Universidade de Oregon, EUA.

    A pequena e delicada flor ficou envolta em âmbar por todos esses milhares de anos e tem como origem o antigo supercontinente de Gondwana, que hoje corresponde à região de Mianmar, no Sudeste Asiático.

    A delicada Valviloculus pleristaminis, flor proveniente de uma floresta que existiu há mais de 100 milhões de anos
    A delicada Valviloculus pleristaminis, flor proveniente de uma floresta que existiu há mais de 100 milhões de anos

    "A flor é masculina e minúscula, de cerca de dois milímetros de diâmetro, mas apresenta 50 estames dispostos em espiral, com anteras apontando para o céu. Esse espécime provavelmente fazia parte de um aglomerado da planta que continha muitas flores semelhantes, algumas possivelmente fêmeas", relata o entomologista.

    Especificamente, Valviloculus pleristaminis teria florescido em uma placa oriunda do antigo continente de Gondwana, chamada bloco da Birmânia, que se separou do resto do supercontinente em algum ponto desconhecido da história.

    A flor ficou preservada em âmbar por todos esses anos e pode trazer pistas sobre o antigo continente de Gondwana
    A flor ficou preservada em âmbar por todos esses anos e pode trazer pistas sobre o antigo continente de Gondwana

    Alguns cientistas acreditam que a separação do continente aconteceu há 200 milhões de anos, outros asseguram mais, em torno de 500 milhões de anos atrás.

    "A datação da migração tectônica [do bloco da Birmânia] de Gondwana ainda não está firmemente estabelecida, mas a idade de 100 milhões de anos do âmbar, com seus fósseis de plantas e animais relacionados ao Hemisfério Sul, pode contribuir para uma eventual solução na busca sobre o tempo exato em que existiu o antigo continente", afirmou o professor.

    Tags:
    flores, natureza, continente
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