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    Uma equipe conjunta de pesquisadores da Universidade Estatal de Psicologia e Pedagogia de Moscou (MSUPE, na sigla em inglês) e do Instituto de Pesquisa Científica de Emergências Sklifosovsky estudaram o estado psicológico de profissionais da saúde durante a pandemia da COVID-19.

    Os cientistas afirmam ter determinado os fatores indispensáveis para a preservação do bem-estar psicológico desses especialistas. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Counseling Psychology and Psychotherapy.

    Em época de pandemia, os médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde tendem a mostrar com maior frequência sinais de esgotamento psíquico e desenvolver transtornos depressivos e ansiedade. A pesquisa realizada pela equipe da MSUPE e do Instituto Sklifosovsky é a primeira pesquisa russa que visa avaliar o estado mental dos médicos de diversas regiões da Rússia durante a primeira onda da pandemia da infeção pelo coronavírus.

    "A saúde e o bom estado psicofísico dos profissionais da saúde, chamados agora de trabalhadores na linha de frente, também são fatores críticos para a manutenção da saúde de toda a população em geral e para o aumento das chances de recuperação dos doentes graves", observa a decana do departamento de Psicologia Consultiva e Clínica da MSUPE, Alla Kholmogorova.

    Os cientistas explicam que a sobrecarga sistemática leva ao esgotamento emocional, que é o sintoma principal do esgotamento profissional, bem como aumenta o nível de estresse e faz surgir sintomas de depressão e ansiedade. Em 10% dos participantes a pesquisa mostra tendências suicidas.

    O que fomenta o estresse em todos os especialistas do setor da saúde são o medo de se infectar a si e aos próximos, a falta de dados precisos e dificuldades organizacionais, dizem os cientistas. A maioria dos especialistas pesquisados mostraram um alto nível de esgotamento profissional: em 61% dos participantes se verificou esgotamento emocional e em 92% a despersonalização, que reflete o grau de formalização de contatos com doentes e colegas.

    Grupo de pesquisa da Universidade Estatal de Psicologia e Pedagogia de Moscou (UEPPM)
    © Foto / UEPPM
    Grupo de pesquisa da Universidade Estatal de Psicologia e Pedagogia de Moscou (UEPPM)

    Já o indicador de êxito profissional é uma exceção, já que em 61% dos profissionais pesquisados este continuava alto, o que pode evidenciar o alto nível de mobilização dos especialistas da saúde e do entendimento por eles de seu papel na luta à pandemia, acreditam os pesquisadores.

    Os profissionais da saúde de regiões periféricas da Rússia resultaram ser mais suscetíveis ao esgotamento: mostram níveis maiores de depressão e de ansiedade e queixam-se mais da falta de meios de proteção.

    Os dados obtidos na pesquisa apontam a organização correta das chamadas "zonas vermelhas", onde são colocados os doentes, como um fator extremamente importante de redução do estresse. Em primeiro lugar, isso pressupõe a criação de espaços especiais para descanso, nos quais seja possível fazer pausas regulares e retirar o traje de proteção. Outro fator importante para equilíbrio mental é a obtenção regular de dados atualizados da gerência.

    Os cientistas sublinham que a manutenção da saúde mental dos especialistas da saúde nas condições de pandemia exige o fomento do serviço psicológico dentro dos estabelecimentos de saúde. Além da assistência material, fatores importantes da saúde mental são o apoio psicológico da família, dos colegas de trabalho e da sociedade em geral, bem como a criação de um ambiente informal e amigável no local de trabalho, observam os pesquisadores.

    No momento, os pesquisadores do departamento de Psicologia Consultiva e Clínica da MSUPE, junto com os especialistas do Instituto de Pesquisa Científica de Emergências Sklifosovsky, continuam as pesquisas do estado mental dos especialistas da saúde que participam do combate à pandemia.

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    Tags:
    pandemia, novo coronavírus, COVID-19
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