00:40 17 Janeiro 2021
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    Animal foi achado em camada submersa de gelo por mineiro de ouro que tentava quebrar uma parede congelada. Pesquisadores dizem que é o "mais antigo e completo" já encontrado.

    Um filhote de lobo foi encontrado em perfeito estado de conservação em uma camada de gelo no subsolo do Canadá, informou a rede de TV a cabo CNN. A descoberta aconteceu no território de Yukon e o animal datava de 56 mil anos, segundo a Universidade de Des Moines, no estado norte-americano de Iowa.

    A criatura, já descrita pelos pesquisadores como "o lobo mais antigo e completo", foi descoberta nos campos de ouro de Klondike, perto de Dawson City, por um mineiro que tentava quebrar uma parede de lama congelada.

    "Esta múmia fêmea é tão completa que tem basicamente toda a sua pele, a maior parte do seu pelo, todos os seus tecidos moles presentes e tem 56 mil anos de idade ou mais", disse Julie Meachen, professora associada de Anatomia dessa universidade.

    A loba, segundo Meachen, é "a mais velha e completa já encontrada", permitindo aos pesquisadores aprofundar como sua vida teria sido.

    Utilizando técnicas de raios X, os especialistas determinaram que o animal, preservado nessa camada submersa de gelo, morreu após seis ou sete semanas de vida. Mas uma tecnologia chamada de "análise de isótopos estáveis" revelou que ela viveu durante uma época em que os glaciares tinham recuado.

    "Não havia tantos glaciares à volta, o que significa que havia muito mais água fresca", disse Meachen. "Havia muitos riachos, muitos rios e provavelmente muitos outros animais ao redor. Ela viveu em uma época exuberante".

    Dieta de lobo

    A dieta da cria de lobo, os pesquisadores descobriram, foi influenciada pela sua proximidade com a água. A análise isotópica revelou que "ela e a sua mãe comiam sobretudo recursos aquáticos, como salmão e talvez algumas aves costeiras", disse Meachen.

    Uma análise de DNA revelou que a cria descende de antigos lobos, os antepassados dos lobos modernos, da Rússia, Sibéria e Alasca.

    "Não é uma surpresa, ela está relacionada com as coisas que estavam lá", explicou ela. "Mas o mais interessante sobre isso, que a maioria das pessoas talvez não saiba, é que os lobos na era do gelo estavam apenas distintamente relacionados com os lobos que existem hoje em dia. Eles ainda são da mesma espécie, mas são muito diferentes por estarem na mesma espécie".

    A sua genética mudou bastante ao longo do tempo. A diversidade dos lobos foi diminuindo com o tempo, e mais uma vez, se expandindo.

    "Ela é verdadeiramente uma loba antiga e estava relacionada com todos os lobos à sua volta na época", disse Meachen.

    São necessárias circunstâncias muito específicas para criar um lobo tão antigo e completo, disseram os pesquisadores, embora várias crias de lobos bem preservadas tenham sido resgatadas da Sibéria. No entanto, esta cria, encontrada na América do Norte, era particularmente rara.

    Lobo na zona de exclusão da usina nuclear de Chernobyl
    © University of Georgia/Peter E.Schlichting at all
    Lobo na zona de exclusão da usina nuclear de Chernobyl

    Devido à sua condição intacta, os especialistas pensam que a cria de lobo morreu instantaneamente, talvez quando a sua toca desabou, pois os dados mostraram que ela não morreu de fome.

    A pesquisa foi publicada na segunda-feira (21) na revista Current Biology.

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    Tags:
    raio X, lobos, Rússia, Canadá, Sibéria
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